Os dois silêncios

Existem dois silêncios: o interior e o exterior.

Notar o silêncio é algo complicado para nós humanos modernos, habitantes de ruidosas e ativas metrópoles.

Gostar do silêncio então é algo quase que ofensivo, basta alguém notar um amigo, colega, ou conhecido, sentado quieto em seu canto, seja no trabalho ou em casa, para rapidamente se acercar e perguntar: “há algum problema?” ou: você se sente bem?

Mas o silêncio, mais do que necessário, é desejável. Principalmente para quem começa um processo de auto-conhecimento.

As vezes o silêncio externo surge naturalmente, mas em geral precisamos buscá-lo.

O silêncio externo surge a partir do momento que nos recolhemos um pouco, que passamos a evitar as conversas desnecessárias, que deixamos de lado aquela ladainha diária que mais nos gasta energia do que oferece alguma satisfação. Surge quando reduzimos o volume da música do rádio do carro ou do celular, quando desligamos a televisão que havia sido deixada ligada para dar “aquela impressão de que tem mais gente em casa”.

O silêncio externo se sente ameaçado quando encontramos alguém na rua compartilhando o som do carro em alto volume! Ou quando o vizinho resolve dar uma festa que se estende até a madrugada. E sentimos nossos ouvidos doerem.

O silêncio externo termina quando notamos o ruído de uma máquina, da geladeira, do cortador de grama do vizinho, dos cachorros que latem de manhã, dos carros passando na rua, da música alta da loja ou supermercado, que invade nossos ouvidos e não nos dá folga.

O ruído que vem de fora perturba o nosso silêncio e muitas vezes não conseguimos eliminá-lo pois o mundo humano é cheio de atividades e ações que geram em sua maioria algum tipo de som.

Nos acostumamos muito facilmente com este barulho pois não percebemos o quanto de mal ele nos causa.

É engraçado notar que muitos habitantes de cidades metropolitanas quando vão para as cidades do interior reclamam principalmente do silêncio excessivo!!! Muitos acham este silêncio opressivo.

O silêncio exterior abre caminho para a percepção do silêncio interior.

E muitas vezes nos assustamos ao perceber o quanto somos barulhentos internamente.

O silêncio interior é quebrado pela nossa ladainha mental, pelo incessante fluxo de pensamentos que nos levam de um lado para outro, incitando um diálogo que não tem fim em nossa mente.

As vezes é uma música que ouvimos no rádio que não sai mais de nossa mente, e ficamos repetindo incessantemente um pedaço, um refrão, por dias a fio.

As vezes é um revisar de situações há muito finalizadas, mas que não conseguimos encerrar pois não concordamos com os rumos que as situações tomaram. E lá vamos nós, explicando, discutindo, refletindo mentalmente, em uma conversa que também não tem mais fim.

Quando não são os medos e os temores que nos assaltam e tiram a nossa paz, a nossa tranquilidade. Gastam a nossa energia e nos deixam em farrapos.

Mas é tudo interno, pois não deixamos transparecer este diálogo louco e incessante. Amigos e colegas dizem que somos pessoas tranquilas, serenas. Até que um dia, quando baixamos a guarda e permitimos que este diálogo alcance o mundo externo oferecemos uma outra visão de nós mesmos, deixando a todos surpresos com o caudaloso rio de barulho que vem a tona.

O barulho interno é mais sorrateiro pois é só nosso, porque podemos camuflar, porque aprendemos a camuflar!!!

Mas chega um dia que até este barulho interno nos cansa, nos exaspera. Então começamos uma longa caminhada em direção ao silêncio. Começamos a buscar uma tranquilidade que nunca tivemos, que nunca demos o devido valor.

E este acontecimento também é muito natural e esperado.

A prática da meditação, por exemplo, oferece um contato muito intimo com o silêncio.

Praticar o Jin Ji Du Li oferece uma boa perspectiva de como os ruídos internos e externos nos prejudicam, pois tiram o nosso equilíbrio rapidamente.

A auto-aplicação de Reiki também serve como um poderoso incentivador do silêncio, pois a medida que o Reiki vai fluindo ele vai tranquilizando nossa mente e nosso corpo.

O silêncio não depende de idade, de cultura ou de qualquer outro fator. É algo pessoal, subjetivo. Cada um de nós tem o seu próprio ritmo e a sua própria necessidade de permanecer em silêncio. Seja para se refazer de uma atividade muito intensa, seja para obter uma folga que nos permita recuperar o equilíbrio.

Observe-se ao longo do dia e veja como está o seu nível de silêncio interno e externo.

Comece a perceber estes momentos e a cultivá-los. Retire-se para um local apenas seu e busque o silêncio.

Experimente.

:>

 

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