Sobre o processo curativo


Eu menciono muito nos meus atendimentos e nos cursos que ministro que o reikiano não é um curador. Mesmo um terapeuta em Reiki não é um curador.

Eu acredito firmemente que ninguém cura ninguém.

E eu acredito firmemente que reikianos e terapeutas são facilitadores. São pessoas que transmitem mais do que a energia do Reiki. Eles transmitem confiança e conforto para as outras pessoas.

Não somos curadores, mas somos cuidadores. Cuidamos de nossos clientes e alunos, nos dedicamos a eles e estabelecemos uma profunda relação de confiança, com isto inspiramos um otimismo e uma nova perspectiva de vida capaz de mobilizar as energias das pessoas para que elas próprias se curem, para que elas mesmas promovam a cura de que tanto necessitam.

É claro que o reikiano como um canal de energia é uma parte importante no processo, pois sem a energia que este canal oferece a cura que o cliente busca pode demorar muito tempo para ocorrer. Mas é preciso estar atento para não nos deixarmos iludir com o fato de que somos curadores, não somos.

Penso também que em épocas mais remotas existiam curadores, os xamãs. Naqueles tempos o nível de consciência das pessoas era muito pequeno e então estas intervenções externas eram necessárias, eram capazes de recolocar a outra consciência no caminho correto.

Mas hoje em dia o nível de consciência de muitos de nós aumentou muito o que facilita o processo de cocriação da realidade. Dentro deste contexto a função do curador se tornou obsoleta.

Entretanto, estabelecer a relação de confiança necessária para a cura ocorrer é um processo complicado. Exige do terapeuta diversas habilidades. Dentre elas a capacidade de se relacionar bem com seu lado feminino, pois quem cuida é o feminino!

Todos nós temos os dois aspectos em nosso ser, um aspecto feminino e outro masculino. Em cada um de nós há uma preponderância destes aspectos e, ao mesmo tempo, uma oscilação. Podemos usar nossos dois aspectos de forma simultânea e equilibrada. E para um terapeuta isto é fundamental, obter este equilíbrio e passar esta informação para o cliente.

Quando deixamos apenas um dos aspectos se manifestar dificultamos a relação de confiança, aumentamos o tempo necessário para a cura se manifestar. Mesmo nesta situação ocorre um aprendizado, natural na maioria das vezes e consciente em alguns poucos casos. Assim encontramos terapeutas com seu lado feminino ou masculino muito desenvolvido o que define basicamente as técnicas que usa durante a terapia, ou técnicas mais agressivas e invasivas ditas masculinas, Yang, ou técnicas mais sutis e pouco invasivas ditas femininas, ou Yin.

Cabe ao cliente observar este aspecto de atuação e questionar, o que é o mínimo, do terapeuta se esta ação é a mais indicada para ele ou se deve procurar outra. Alguns clientes já tomam a decisão, por intuição ou por experiência própria, pois já sabem como aquele tipo de terapeuta atua e se esta forma é a que ele necessita. Mas cabe também ao terapeuta observar esta questão e, alterar a técnica usada quando possível, ou então encaminhar o cliente para outro terapeuta.

Tenho observado esta consciência, de ambos os lados, se desenvolver muito nos últimos anos, o que é muito benéfico para todos.

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Ego


Um dos assuntos mais abordados nos últimos tempos dentro das várias vertentes espiritualistas é a questão do ego.

Fala-se muitos dos perigos, dos problemas, das dificuldades do ego.

Fala-se pouco dos benefícios do ego!

Mas, principalmente, fala-se do ego sem muita profundidade. Falar do ego e não falar dos demais mecanismos da psique fica um pouco vago no meu entendimento. De uma certa forma atribuímos ao ego mais do que ele é realmente.

A palavra ego, mais do que o conceito, se popularizou e caiu no gosto popular. Isto é inegável. Tanto que nem sei se vale a pena tentar esclarecer o assunto.

Em alguns textos e vídeos os autores até se dão o trabalho de situar o ego, mas não acredito que os leitores e ouvintes prestem real atenção a estas partes.

Não estou defendendo ou acusando. Apenas observando.

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O Deus de Spinoza


Eu me mantive reativamente distante do trabalho de Baruch Spinoza, ao longo do meu caminho e das minhas incursões por várias áreas do saber. Não foi algo planejado, talvez tenha sido por uma leve implicância com os filósofos, já que eles sempre me pareceram sérios de mais, sisudos demais.

Lembro que na juventude li: O Elogio da Loucura, de Erasmo de Rotterdam, e gostei muito da veia irônica que ele expressa. Mas foi só….

Hoje eu estava pesquisando algumas coisas e me deparei com este texto de Spinoza:

Este é o Deus de Spinosa

Os grifos em negrito são meus. São pontos que tangenciam muito as minhas crenças atuais, não que as reforcem diretamente pois o que ele escreveu o fez há muito tempo, então eu estou apenas adaptando as ideias.

E falando nestes pontos de convergência:

  1. eu acredito que Deus está em tudo, no mundo, no Universo, acredito que Tudo é Deus;
  2. também não creio que exista algo de errado no ser humano, nem quando expressam coisas boas e muito menos quando expressam coisas ruis;
  3. medo, isto é importante, parar de ter medo, não só de Deus mas de tudo o mais, principalmente de nós mesmos;
  4. para que pedir perdão se fazemos exatamente o que queremos, repetidamente e incessantemente;
  5. não há avaliações de nossa vida, não estamos em uma corrida, em um campeonato em uma disputa, não há melhores nem piores, apenas temos experiências diferentes;
  6. o que levamos ao final são estas experiências que tivemos, tanto as boas quanto as ruins, todas são dádivas;
  7. Sentir a gratidão é o mais importante. Ficar falando, gritando, tentando convencer os outros de que somos gratos não adianta muito;
  8. Está tudo dentro de nós mesmos. Não adianta procurar fora, no mundo, nas coisas ou nos outros.

Penso também que de uma maneira geral, o Deus a que ele se refere o tempo todo no texto as vezes se personifica nos outros, no chefe, no patrão, no esposo, no ídolo musical, nos mestres e nas divindades, é para que voltamos nossa atenção, nossa vontade e nossa energia. É neles que nos perdemos.

Gostei muito do texto, foi muito inspirador. Acho que vou pesquisar um pouco mais!!!

: -p