Sobre meditação

A nossa civilização privilegia a mente de tal forma que resta muito pouca coisa para o sentir.

A cultura ocidental se baseia em um ente psíquico muito forte, determinado e ativo que denominamos ego. Desenvolvemos o ego desde que nascemos, nós o fortalecemos e ele usa todo o aparato do ser para se manifestar.

E o ego utiliza a nossa mente para tudo o que necessita. E a utiliza muito bem diga-se de passagem.

Assim a mente e o ego se arvoram donos de todo o nosso ser, impedindo desta forma uma transcendência, impedindo um ir adiante de nossa consciência.

Ouvimos muitos intelectuais e mestres falando em matar o ego.

Primeiro é preciso coloca em perspectiva este matar. Com certeza não é a palavra mais adequada mas talvez seja a que toca com mais profundidade os seres que estão ouvindo neste momento.

Talvez alguns até estejam dizendo mesmo que devemos extirpar o ego. Neste caso eles estão profundamente enganados. O ego faz parte de nossa psiquê, mas ele não é o todo. É apenas mais um estágio. Que a maioria de nós vai ultrapassar em algum ponto.

Assim, é preciso ler corretamente a mensagem que está sendo transmitida. Deixar de lado a ideia de matar realmente o ego e se preparar para trancendê-lo, para ir adiante rumo ao Espirito.

Outro aspecto muito comentado é o silenciar a mente.

É também um aspecto muito mal interpretado, pois confunde-se um resultado, uma consequência, com um objetivo.

A partir do momento em que você coloca o silenciar como um objetivo você começa a se afastar dele. Em outras palavras, você dá mais combustível para ser queimado na fogueira da tentativa.

Silenciar a mente é algo muito complexo. Simples, porém complexo.

A nossa mente é treinada para ser útil. Para cumprir uma tarefa, e ela executa esta tarefa com muito empenho. E os resultados ao longo do tempo mostram isso.

Este empenho se mostra principalmente no volume de pensamentos inúteis que a mente produz, apenas para se justificar. Apenas para se mostrar necessária.

É preciso levar em conta que praticamente tudo em nosso ser é expresso, traduzido, em pensamentos e se manifesta com pensamentos.

Se você sentar para observar a natureza você já está pensando. Observar implica em processar dados, em pensar.

Olhar uma folha que se move com o vento é pensar. Ocorre um trabalho de segundo plano da mente comparando a posição inicial da folha e todas as suas posições subsequentes. Caso isto não ocorra nunca saberíamos que a folha estava em movimento.

E o pior, este processamento sobre a posição da folha ocorre sem que nossa consciência esteja notando.

Podemos no entanto começar a treinar nossa mente para reduzir os pensamentos, e observar a natureza com certeza é uma das formas. Senta e observar as folhas, os pássaros ou as nuvens ajudam muito.

Mas levará muito tempo até o pensamento cessar.

O excesso de pensamentos, o excesso de atividade do ego deixam muito pouco espaço para a consciência. E quanto menos espaço tivermos mais distraídos estaremos, mais robotizados estaremos.

Existe uma forma de quebrar este ciclo: se chama meditação.

E a meditação é algo tão simples, tão prático e ao mesmo tempo tão profundo e ameaçador que a mente, na menor menção da palavra já se levanta e busca uma série de “dificuldades e desculpas” para impedir que isto seja levado adiante.

Meditar é trazer consciência para o seu ser.

Meditar também resulta em silenciar a mente.
Meditar também resulta em transcender o ego.

Observem que escrevi resulta. Ou seja, não é um objetivo que perseguimos, isto é tarefa do ego e da mente, é algo que surge, que se manifesta em algum ponto da prática da meditação.

É importante notar também o quanto a mente e o ego se sentem ameaçados com esta prática. Como se instintivamente eles soubessem que a meditação vai se o fim deles ou que vai reduzir a sua importância e poder.

E, com base nesta premissa, a reação a meditação é muito forte. Objetivos são confundidos com resultados. Métricas impossíveis são estabelecidas. Razões as mais diversas são buscadas para justificar a ineficiência da prática.

Meditação não é algo que se avalie. Meditação é algo que escolhe praticar.

Mas sair da zona de conforto. Escapar das armadilhas da mente é algo que ocorre tanto e com tantas pessoas que surge como desculpa.

Entretanto, comece a meditar. E afaste a mente e o ego.

Qualquer prática serve, qualquer técnica serve. Experimente.

Como sugestão:

  • sente-se confortavelmente em uma cadeira, sofá, ou mesmo no chão;

  • mantenha a coluna reta;

  • inspire pelo nariz até encher o pulmão de ar;

  • abra bem a boca e emita o som OM. Primeiro um Ooooooo bem prolongado e depois vá fechando a boca e fique com o Mmmmmmmm bem grutural, bem rouco;

  • faça isto até esvaziar os pulmões;

  • encha novamente os pulmões de ar e OooooooMmmmmmm;

  • faça isso por 15 minutos.

Experimente!

:>

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2 comentários sobre “Sobre meditação

  1. “Eu penso” é uma afirmação simplesmente tão falsa quanto “eu faço a digestão” ou “eu faço meu sangue circular”. A digestão acontece, a circulação acontece, o pensamento acontece. A voz na nossa cabeça tem vida própria. A maioria de nós está à mercê dela; as pessoas vivem possuídas pelo pensamento, pela mente. E, uma vez que a mente é condicionada pelo passado, então somos forçados a reinterpretá-lo sem parar. O termo oriental para isso é carma. O ego não é apenas a mente não observada, a voz na cabeça que finge ser nós, mas também as emoções não observadas que constituem as reações do corpo ao que essa voz diz. A voz na cabeça conta ao corpo uma história em que ele acredita e à qual reage. Essas reações são as emoções. A voz do ego perturba continuamente o estado natural de bem-estar do ser. Quase todo corpo humano se encontra sob grande tensão e estresse, mas não porque esteja sendo ameaçado por algum fator externo – a ameaça vem da mente.

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