Mais um pouco sobre o outro

Há algumas semanas escrevi um texto sobre o Outro.

Comentei também sobre a questão deste assunto parecer um pouco racional demais, mental demais.

Mas tenho pensado, me observado e observado outras pessoas, a respeito deste assunto.

Concordo que existe em primeira instância um racionalismo um pouco extremado ao olhar o outro como um simples reflexo de mim mesmo. Como se olhar os outros fosse apenas como se ver em um espelho. Como se olhar o outro fosse apenas observar nele apenas o que eu gosto e o que eu não gosto.

Penso que ao observar o outro eu consigo ver o meu ideal. A minha ideia mental de perfeição. Seja na beleza física, seja a capacidade intelectual, ou no sucesso financeiro ou ainda em suas qualidades emocionais o como ele se relaciona na sociedade. Posso ver também a minha sombra, aquilo que nego e que não desejo de forma alguma ver em mim mesmo. Aquelas características indesejadas da minha personalidade que eu empurro para o fundo do meu ser, com medo de expressar ou com medo de não poder controlar.

Algo de muito interessante é que o outro não precisa necessariamente ser um ser humano. Pode ser um animal, uma planta ou mesmo um planeta. Ou o que vocês acham que estão vendo na beleza simples e frágil de uma flor, na amplitude de um por do sol, na fidelidade de um cão ou na tristeza de um riacho contaminado pela poluição. Nada mais, nada menos do que um relexo de nossas características. O mundo a nossa volta é um imenso outro, um outro gigantesco.

O detalhe interessante é que quando eu paro de resistir a este processo, o de negar que faço estas coisas, que me projeto nos outros, eu começo no mesmo instante a me tornar mais verdadeiro.

A medida que eu entendo, compreendo, integro esta forma de agir e de pensar eu começo verdadeiramente a ver o outro como uma pessoa real. Eu começo verdadeiramente a ver a mim mesmo como uma pessoa real.

É algo interessante de se observar, este processo em andamento. A resistência inicial, a briga interna comigo mesmo insistindo em não reconhecer as minhas características, boas ou más mas sempre minhas.

A medida que eu consigo observar este processo e o percebo avançar, e isto pode ser bem dolorido, eu começo realmente a separar o outro da pessoa real que ele é. Eu começo a ver o outro como uma pessoa.

Neste ponto o outro deixa de ser o espelho, o reflexo de mim mesmo, ele se manifesta como realmente é, com as suas qualidades, com os seus defeitos. E isto verdadeiramente deixa de me incomodar, deixa de afetar.

Quando eu passo a ver o outro como pessoa eu passo a ver a mim mesmo como pessoa.

E, como pessoa real, eu aceito naturalmente as minhas qualidades e defeitos, aceito todas as minhas características, sejam elas físicas, emocionais ou mentais.

Esta percepção real de mim mesmo e das pessoas ao meu redor é algo tão engrandecedor na vida da gente que pensamos na razão de não termos feito isto antes!! É tão surpreendentemente simples que noa deixamos ficar assombrados.

E quando eu me olho e olho ao outro como uma pessoa real outra situação surge dentro de mim: o amor. Surge um amor imenso, amplo, verdadeiro e que necessita ser expressado, seja para comigo mesmo, seja para com esta outra pessoa que surge perante meus olhos agora não mais embaçados.

A partir deste momento eu consigo amar a mim mesmo com aquele amor desinteressado, com aquele amor real que se manifesta quando olhamos também a realidade.

E este amor não é algo difícil, não é egoísta ou proprietário. Não necessito mais ser dono da coisa amada para sentir o amor fluindo dentro de mim.

Algo de muito belo surge dentro de mim e no meu olhar, na minha expressão no mundo. Um amor sem condições.

E por mais que isto pareça difícil e complicado e distante e inacessível….. é simples!!!

Sentir isto dentro de nós mesmos é algo tão inspirador, tão tranquilo, que nos infunde um respeito imenso pelo outro, pelas suas qualidades e defeitos.

Sentir este amor nos impele a respeitar este outro ser sem querer modificá-lo, sem querer impingir a nossa visão da realidade a ele.

De tão fácil e simples o que nos resta é apenas começar!!!

E observar o processo se desenrolar.

:>

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