O outro não existe

O outro não existe!!

Esta é uma afirmação interessante, importante e um pouco complexa.

Mas quem é o outro?

O outro são todos aqueles que não sou Eu.

O outro pode ser o meu pai, a minha mãe, um amigo, o presidente….. qualquer um pode ser o outro, qualquer um é o outro.

Confesso que é um pouco estranho falar assim: o outro. Soa um pouco distante, um tanto esquisito.

Mas e afirmação de que o outro não existe?

Como isto é possível?

Como eu vou afirmar que a minha mãe não existe se eu a vejo, se eu toco nela, sinto o cheiro do perfume, ouço a sua voz e sinto o gosto da sua pele quando dou um beijo.

Como eu vou afirmar que o outro não existe se ele pode chegar e me bater. E vou sentir o contato da pele e a dor do soco que recebi.

Se o outro não existe quem está dirigindo aquele carro que passou na rua?

Se o outro não existe quem está operando o sistema de energia elétrica que mantém a minha casa abastecida, quem está plantando as frutas que eu como, ou o café que eu coloco no meu leite?

Bom, quando eu afirmo que o outro não existe eu não estou falando do corpo físico deste outro!

Quando eu digo que o outro não existe eu não estou dissolvendo o corpo do motorista do carro, pois se fosse assim o carro estaria parado.

Quando eu digo, afirmo, que o outro não existe é dentro da minha mente.

Na realidade, para a minha mente o outro não existe.

Eu não consigo ver o outro verdadeiramente.

Eu não consigo conhecer o outro verdadeiramente.

Quando eu olho para outro três coisas ocorrem. Uma muito rara e duas muito comuns.

As duas coisas comuns:

  • eu olho o outro e vejo nele as coisas que eu não gosto em mim mesmo;
  • eu olho o outro e vejo nele as coisas que eu gosto em mim mesmo.

Desta forma o outro é um reflexo meu, uma projeção minha.

As coisas que eu vejo no outro estão dentro de mim e eu as reconheço, gostando ou não.

O que o outro faz, que eu gosto ou desgosto, são coisas que eu quero fazer, que eu quero sentir, que eu quero ter. ou então que eu não quero fazer, não quero sentir e não quero ter.

Eu combato o homosexual no outro pois tenho medo e não aceito as minhas tendências homosexuais.

Eu combato o mal no outro pois tenho medo e não aceito a minha maldade.

O outro muitas vezes extravasa, coloca para fora, materializa as coisas e eu não. Não faço isso por medo, por temor, por culpa, por responsabilidade ou por repressão.

Eu não gosto de olhar as coisas em mim, eu não consigo, eu não quero. Então eu as projeto no outro. Fica mais fácil, mais aceitável, mais bonito ou mais interessante. O que eu vejo no outro pode ser combatido, pode ser achincalhado.

No outro pode tudo, pois é o com o outro, é no outro. Não é em mim!!!

Esta minha incapacidade de me enxergar, de me perceber, de me sentir se manifesta no outro. E, assim, pode ser observada de uma forma mais segura, afinal está no outro, está distante de mim.

Estando tudo no outro é fácil eu fechar os olhos, virar o rosto ou mudar o pensamento e esquecer.

Seguir assim é confortável.

Realmente é agradável. Tanto que eu faço isso constantemente. Tanto que eu aprendo a fazer isto logo cedo no meu desenvolvimento e sigo repetindo isto até a minha morte. Como se isto fosse a coisa mais natural a ser feita.

E o terceiro fato que ocorre quando eu olho o outro?

– Eu vejo o outro!

Mas esta visão é muito rara! Poucas pessoas são capazes de fazer isto. De ver a realidade do outro. Para isto acontecer leva tempo, precisa-se de energia, de vontade, de sinceridade.

Para isto acontecer é preciso antes de tudo e mais nada conhecer a mim mesmo.

Para que eu possa enxergar o outro de forma real e não como um reflexo meu é necessário que eu me conheça. Que eu me aceite. Só assim posso ver a realidade.

Mas conhecer a si mesmo leva tempo. Não está pronto, não está ali na prateleira para eu comprar.

Conhecer a si mesmo dói. Pois eu vou encontrar coisas boas e coisas ruins.

Conhecer a si mesmo dá vergonha, pois vou ver as coisas que eu faço realmente e não aquelas que eu penso que faço.

É uma jornada…. leva tempo e demanda energia, dedicação, disciplina.

Quem tem tempo para isto?

Quem tem vontade de fazer isto?

– poucos, muito poucos.

Mas mesmo assim eu sigo vivendo.

E culpando os outros!!

É bom ter alguém para assumir aquilo que não gostamos em nós mesmos não é!

:>

 

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4 comentários sobre “O outro não existe

  1. Olá irmão, você não me pediu e eu não deveria falar mais mesmo assim eu vou te dar uma ideia quando for tomar o chá consagra ele primeiro sem modo, fala o que você quer saber suas verdades quando você vomitar vai começar entender e ter suas resposta. pelo menos comigo funciona Pra min não basta tomar tem que consagrar saber porque tá tomando. Quando você reza tem que oferecer pra um santo não é do mesmo jeito.

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  2. Pingback: Mais um pouco sobre o outro | R e i k i

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