Introdução do livro do Prashanto

Esta é a introdução do livro do Prashanto, O Caminho das Nuvens Brancas.

Meu Caminho Até Rajneesh

 Sw. Deva Prashanto

“Goze e Celebre!””Esqueça tudo o que os padres, políticos, educadores, militares e parentes lhe puseram na cabeça e seja você que é ser religioso.””Deus não existe, o divino existe… Dê o pulo no desconhecido e arrisque-se sempre.

“De repentes, encontro-me em Poona, cidade perto de Bombaim, Índia, sentado no cimento frio, num final de agosto, 1978. Centenas de pessoas, quase todas vestidas de laranja: japoneses, alemães, ingleses, americanos… (até de Madagascar encontrei…). Silêncio quase total, pois o cuco pespontava o que aquele cara, todo de branco, barbudo e careca, sentado num pedestal, dizia. Sua voz impressionou-me: era suave e tinha uma vibração sonora diferente – vinha lá do fundo…Cada dia me espantava mais: a demolição era terrível! O tal Rajneesh martelava em todas as direções: as religiões que perderam o contato com as suas origens místicas (levei tempo pra aceitar a palavra místico – Willhelm Reich havia-me vacinado contra ela. A palavra deus ainda levou mais tempo a ser usada naturalmente – materialista, ateu, tinha profundo preconceito contra uma simples palavra!); os sistemas educativos que deformam, esmagam toda a naturalidade, espontaneidade da criança (e eu quase virei um robô…) enfim, todas as sociedades que esmagam o indivíduo através do medo, oculto ou aparente.

Eu estava perplexo! Era demais pra quem havia recém-saído do Brasil, onde a censura, o medo de falar claramente era o cotidiano.Durante três dias vaguei pelo

ashram (comuna) tenso, perdido: meu inglês era quase nenhum, ninguém que falasse espanhol pelo menos… Consegui uma pequena estrevista com Laxmi, uma hindu, pequenina, olhão, secretária geral da Fundação Rajneesh. Expliquei mais ou menos o que me levara lá – um curso chamado “consellour trainning”, para psicoterapeutas (eu era um deles…). Ela falou-me num inglês hindu ininteligível, saí desesperado.Parecia um complô!

Ninguém me dava bola. Eu insistia sobre o curso, ficava na sala de espera, e sempreque podia perguntava por uma tal de Karuna, que era o responsável pelos cursos. Ela nunca estava à vista…Todas as manhãs eu ia ouvir o tal Guru, pelo menos ele dizia coisas interessantes, eu concordava com aquase maioria delas (só em política eu fazia restrições…) No terceiro dia, afinal, encontrei no bar um pintor italiano que falava espanhol. Disse-lhe sobre minhas suspeitas paranóicas. Ele apontou para o seu “mala” (mala é o colar que tem o retrato de Rajneesh): “Aqui quem decide é só ele. Escreva para ele”. Finalmente uma porta se entreabria. Escrevi em português mesmo (descobri que havia uns brasileiros lá- uma era tradutora). Quatro folhas! Anexei um retratinho, botei numa caixinha. Enquanto esperava a resposta ia ouvindo as palestras, participando das meditações públicas: dança sufi

– um montão de gente brincando, dançando (que diabo de meditação era aquela? Sempre achei meditação babaquice, alienação, pois no Brasil os “meditadores” pareciam zumbis, mortos-vivos), de tarde deitava no cimento e ouvia uma gravação antiga do Rajneesh, depois uma outra meditação que me surpreendeu – Nadabhrama: senti com as mãos minha própria energia. A tardinha, outra: Kundalini.

Esta ainda mais surpreendente: começava com o corpo todo sendo sacudido, depois dançar adoidado… Sempre havia ouvido falar que meditar era ficar paradão. (Pratiquei Kundalini vários meses até que um dia, por segundos, tornei-me o sacudir

– sem querer, involuntariamente, todo o meu corpo tremia, parecia que eu ia sair voando…) e à noite o grupo de música. Para mim era a glória, pois sempre gostei de dançar.

Também era meditação!!! “Meditar é estar aqui-agora. Ser total. Não importa o esteja fazendo – faça-o totalmente. “Esse Rajneesh até que tem uns “saques” bons, pensei. “Assim até eu entro na onda da meditação!”. E dançava adoidado. Ficava só de calção (o calor era bárbaro) e quase entrava em transe. A resposta do Rajneesh era: faça todas as meditações e uns grupos (descobri que naquela comuna funcionavam quase 80 grupos de crescimento diferentes – mil técnicas eram utilizadas: Gestalt, Bioenergética, Psicossíntese, Psicodrama, Massagens de tudo o que era tipo, Hipnoterapia, Zen, Sufi, Gurdjieff…) E lá fui eu pro primeiro grupo: Centering, baseado em técnicas gurdjieffianas. Muita brincadeira que me levou à seguinte conclusão: “Você tá ruim mesmo, cara!” A seguir outro grupo: Urja (energia). A coordenadora do grupo (que escreveu um livro famoso: “Massagem Psíquica”) quase não coordenava nada… Foi duramente criticada por quase todos. E ela chorava, lamentando que o Bhagwan havia sugerido que ela e o companheiro vivessem um tempo sem se ver… etc. e tal… E chorava, chorava… “Porra!” que raios de terapia e terapeuta são estes? Ora, eu paguei pra ser terapeutizado e nada acontece. Levei umas fitas de chorinho e dançava. Terminado o grupo, fui para casa e dormi 12 horas direto. Ah!? Malandro, tá sacando!? A técnica não importa, o não-fazer é uma terapia fortíssima. E o velho dizia: “Sentar-se quieto, ficar em silêncio, a primavera chega e a grama cresce sozinha”. Levei tempo pra compreender isto: o Wei Wu Wei dos taoístas

– “ação através da não-ação”. Não opor nenhuma resistência à vida. Fluir.

Havia conhecido os brasileiros. Um deles me dizia: “Torne-se sannyasin (ou seja, discípulo do Rajneesh). Eu, hein!? Velho batalhador de esquerda, marxista, ateu convicto, reichiano, etc. e tal! Andar todo de laranja, com este colar dependurado?

Vade retro!

Mas, ia fazendo os grupos, dançando, observando o que se movimentava ao meu redor. Muitos jovens. Belas mulheres, homens idem. Os mais antigos sem nenhuma ruga, vinco, contração no rosto. Gente abraçando-se minutos a fio. (Estão tirando um sarro, pensava. Já no fim de minha estadia senti o que se passava realmente, com os que ficavam perdidos no abraço: amor, êxtase, o coração querendo explodir). Cada um na sua, mas sentia-se algo diferente no ar (descobri que era simplesmente amor, energia amorosa) que ligava uns aos outros até nas plantas, pedras…

Agora estou no grupo Intensive Englightment (Iluminação Intensiva). Loucura total: 18 horas de trabalho! Você escolhe um parceiro, sentam-se um em frente ao outro e ele pergunta: “Quem é você?” Elá vem coisa: sou isto, aquilo, etc., etc…. Depois troca e repete, e troca… repete. Troca-se de parceiro e repete, repete… Lá pelas tantas…”Sei lá quem sou eu? Quero ir embora!”. No segundo dia descobri que a vida era um jogo, uma brincadeira. Pra que se aporrinhar? Tou aqui pra ser feliz e felicidade é incompatível com seriedade, tensão, preocupação (em 1981, em Florianópolis, alguém me perguntou, após eu ter falado sobre esta visão das coisas: “O que é que você acha que é ser alienado?” Senti logo a barra e soltei meus antigos conhecimentos marxistas-hegelianos sobre o conceito de alienação… e terminei dizendo: “Quem vive em função de conceitos é alienado.

Quer dizer: você pra não ser considerado alienado vive se policiando – já se alienou…) No dia seguinte, ao fazer a meditação dinâmica (outra invenção do Rajneesh pros loucos inconscientes ficarem conscientes de sua loucura. Equivale a um grupo de ginástica respiratória, um grupo de Gestalt, um grupo de bioenergética, um grupo de meditação e uma discoteca da pesada).

Na fase da meditação(você fica totalmente imóvel – menos a mente é claro…) pensei: ora se a vida é uma brincadeira, um jogo, porque você tá levando a sério ser ou não ser sannyasin?

Xeque Mate!

Esse Bhagwan é mesmo das arábias! O suor corria pelo meu corpo, enquanto pensava (o suor não era frio, não, era devido ao esforço da meditação dinâmica…): “Por que não brincar de ser sannyasin?

Você é livre ou não? Pendura este mala e se não gostar, joga fora! Saí dali fui direto: “Quero ser sannyasin” (era dia do meu aniversário).

Dois dias depois, Aron Abend começou a morrer e Sw Deva Prashanto a nascer. Foi assim: sentei-me diante dele. Disse-me “Feche os olhos e ouça o cuco cantar… Abra os olhos.”

Mirei-o: seus olhos estavam quase me tocando fisicamente. Pôs o polegar entre as sobrancelhas e me pôs o mala. “Seu novo nome: Swami Deva Prashanto…”Eu quase não pude ouvir nada, uma luz amarelada envolvia o seu rosto. “Ser sannyasin e renascer.”A partir daí muita coisa mudou e estou de mala até hoje…O que aconteceu?

O que está acontecendo? Só experimentando. Dizer não dá pra entender. Últimas palavras: “Não acredito em nada do que este velho louco diz aqui neste livro… “Experimente tudo você mesmo. Acho até que você nem devia acreditar que ele existe só porque este livro existe… Se puder e quiser procure-o, de qualquer maneira, onde for…… e quando o encontrar, aí você saberá porque todas as palavras são inúteis…

Sw Deva Prashanto

Fonte: http://pt.scribd.com/doc/89708310/OSHO-O-Caminho-Das-Nuvens-Brancas-I

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