O Caminho das Nuvens Brancas

Um texto do Osho quando ele ainda se chamava Rajneesh, é bem antigo e o livro provavelmente só em sebos.

O Caminho das Nuvens Brancas

 Bhagwan Shree Rajneesh – Osho

Bhagwan, Por que o seu caminho é chamado de “O Caminho das Nuvens Brancas”?

Pouco antes de Buda morrer, alguém lhe perguntou: Quando um Buda morre, para onde vai – ele sobrevive ou simplesmente desaparece no nada?

Esta pergunta não é nova, é uma das mais antigas, muitas e muitas vezes repetida.

Dizem que Buda respondeu: É exatamente como uma nuvem branca desaparecendo. Justamente nesta manhã havia nuvens brancas no céu. Agora, elas não estão mais lá. Para onde foram? De onde vieram? Como surgiram, e como se dissolveram novamente?

A nuvem branca é um mistério – o vir, o ir, o próprio ser dela. Esta é a primeira razão pela qual chamo o meu caminho de “O Caminho das Nuvens Brancas”.

Mas existem outras razões e é bom ponderar, meditar sobre elas.

Uma nuvem branca existe sem nenhuma raiz – é um fenômeno desenraizado, sem qualquer retenção, ou retido no nada. Mas ainda assim existente.

A existência inteira é como uma nuvem branca – sem qualquer raiz, sem qualquer causalidade, sem qualquer causa última – ela existe. Existe como um mistério. Uma nuvem branca não tem, na realidade, nenhum caminho próprio. Vagueia. Não tem onde chegar, não tem objetivo. Não tem destino a ser cumprido. Não tem fim. Você não pode deixar uma nuvem branca frustrada, porque onde quer que ela chegue, é a meta.

Se você tem uma meta, está destinado a ficar frustrado. Quanto mais a mente é orientada para uma meta, mais angústia, ansiedade e frustração possui – porque quando você tem uma meta começa a se mover com um objetivo fixo.

E a existência inteira existe sem qualquer destino. O todo não está indo para lugar algum; não possui nenhuma meta, nenhuma finalidade. Se você tem uma finalidade, está indo contra o todo – lembre-se disto – você ficará frustrado. É impossível vencer o todo. Sua existência é tão frágil – você não pode lutar, não pode conquistar. É impossível conceber um indivíduo sozinho conquistando o todo.

Se o todo não tem finalidade e você tem, você acaba sendo derrotado. Uma nuvem branca deixa-se levar para onde quer que o vento a dirija – não resiste, não luta. Uma nuvem branca não é um conquistador, e mesmo assim flutua acima de tudo. Você não pode conquistá-la, não pode vencê-la. Ela não tem nenhuma mente para ser conquistada – eis porque não se pode derrotá-la.

Quando você está fixado numa meta, propósito, destino ou significado, quando adquire essa loucura de chegar a algum lugar, os problemas começam a surgir. E você acaba sendo derrotado – isto é certo. Sua derrota está na própria natureza da existência. Uma nuvem branca não tem para onde ir. Movimenta-se, vai para todos os lugares. Todas as dimensões lhe pertencem, todas as direções lhe pertencem. Não rejeita nada. Tudo é, existe, numa total aceitação. Por isto, chamo o meu caminho de “O Caminho das Nuvens Brancas”.

As nuvens brancas não têm caminho próprio – vagueiam. Caminho significa chegar a algum lugar. “O Caminho das Nuvens Brancas” é um caminho sem caminho, uma trilha sem trilha. Movimentando-se, mas sem uma mente fixa – movimentando-se sem a mente. Hum? – isto tem de ser compreendido, porque objetivo é sinônimo de mente. Eis porque você não pode conceber uma vida sem objetivo; a mente não pode existir sem objetivo.

E as pessoas são tão absurdas – elas ainda vêm a mim e perguntam: qual a finalidade da meditação? A meditação não pode ter nenhuma finalidade, porque a meditação é basicamente um estado de não-mente – no qual você está, mas não vai a lugar algum; no qual simplesmente estar, ser, é a meta. A meta está aqui e agora. Quando a meta está em algum outro lugar, a mente inicia sua jornada. A mente começa a pensar, inicia um processo. Se o futuro existe, então a mente pode fluir, pode ter seu curso, tem espaço para mover-se. Com o objetivo vem o futuro, e com o futuro vem o tempo. Uma nuvem branca flutua no céu, a temporal – porque então há futuro nem mente para ela. Ela está aqui e agora.

Cada momento é uma eternidade total. Mas a mente não pode existir sem finalidade, assim, ela continua criando propósitos. Se os propósitos chamados de mundanos são perdidos, ela cria propósitos religiosos, propósitos extraterrenos. Se o dinheiro tornou-se inútil, então meditar passa a ser muito útil. Se o chamado mundo das competições, da política, tornou-se sem sentido, então um mundo de religião, de realização, com uma nova competição, torna-se significativo.

A mente sempre almeja algum significado, algum propósito. E para mim, apenas uma mente sem propósitos é religiosa. Mas então a mente já não é mais uma mente. Pense em si mesmo como uma nuvem branca, sem nenhuma mente. No Tibé, os monges meditam, mm? – sentados nas colinas, solitários, absolutamente sós, meditam sobre as nuvens brancas perambulando pelo céu, contemplam – nas continuamente, e pouco a pouco são incorporados, tornam-se nuvens brancas – ficam empoleirados nas colinas como uma nuvem branca. Sem mente, apenas existindo. Sem resistência, sem luta, sem nada para ser alcançado nem para ser perdido. Apenas sentindo o prazer do existir, celebrando o momento – o gozo, o êxtase do existir.

Por isto, chamo o meu caminho de “O Caminho das Nuvens Brancas”. Gostaria que vocês também se tornassem nuvens brancas, vagueando pelo céu. Eu digo vagueando, não caminhando, não dirigindo-se para um ponto – apenas vagueando para onde quer que o vento os leve. Esteja onde estiver, esse lugar é a meta. A meta não é algo que termina em algum ponto, um fim de linha. A meta é o próprio momento.

Aqui, para mim, você é um siddha, um ser iluminado. Aqui, você já se realizou. Aqui já é tão perfeito quanto pode ser, é como um Buda, um Mahavir, ou um Krishna. Não tem mais nada para alcançar. Neste exato momento, tudo está presente – apenas você não percebe. E você não percebe porque sua mente está no futuro. Não está aqui. Você não está consciente do que está lhe acontecendo neste exato momento. E tem sido sempre assim. Por milhões e milhões de vidas tem sido assim.

Você tem sido um Buda o tempo todo. Nem por um único momento isto foi perdido. Isto não pode ser perdido – porque é assim que a natureza, as coisas são. É impossível perder isso! Mas você não percebe e não pode perceber porque sua meta está em algum outro lugar, em algo que tem de ser conseguido. Assim, cria uma barreira e perde o que já é. Uma vez que esse estado é revelado, uma vez que é compreendido, uma vez que você se torna consciente dele, o maior mistério do ser é revelado – todo o mundo é perfeito. Mm? – isto é o que queremos dizer quando falamos que todo mundo é Brahma – que todo mundo é a alma, a alma suprema, o Divino. Isto é o queremos dizer quando falamos Tattwamasi – você já é. Não precisa se tornar, porque se tivesse que se tornar, então não seria.

E se você já não fosse, como poderia vir a ser? A semente torna-se árvore porque a semente já é isso. Uma pedra não pode transformar-se numa árvore. A semente torna-se árvore porque a semente já é isso! Assim, a questão não é de transformação, a questão é apenas de revelação. A semente revela-se neste momento como uma semente; no momento seguinte, como uma árvore. Portanto, esta é apenas uma questão de revelação. E se você puder penetrar nisto profundamente, verá que a semente já é a árvore neste exato momento.

Fonte: http://pt.scribd.com/doc/89708310/OSHO-O-Caminho-Das-Nuvens-Brancas-I

Sobre o autor:  Bhagwan Shree Rajneesh

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3 comentários sobre “O Caminho das Nuvens Brancas

  1. Pingback: Introdução do livro do Prashanto | R e i k i

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