Estou deprimido


Pois é…

Depois de alguns dias de tranquilidade, serenidade, estou deprimido. Estou deprê!

Este estado veio se alojando de vagar, silenciosamente.

Algumas sintonias aqui, algumas sintonias ali….

Pequenas lembranças….

Pequenas cobranças…

Meu cabelo não está como eu quero… chato isso!!!

O modelo do meu smartphone não é o que eu quero!!!

A hora de acordar pela manhã não é a hora que eu quero acordar!!

O que tem para ser feito não é o que eu quero fazer!

Pois é….

Quem estou querendo enganar?

A mim mesmo….

Isso é difícil, muito difícil….

Estou deprimido porque a realidade lá fora não está se adaptando ao que a minha mente quer!

Só por isto.

A minha mente olha para fora e tenta interpretar a realidade de uma forma que não é coerente, que não é real….. e isto não funciona. Nunca funciona, mas a mente tenta.

E quando ela não consegue o que surge é isto: depressão.

Bom… ao menos já interceptei o sentimento.

A depressão não está aqui sem uma causa, não é algo perdido em meus dias e noites.

Mas…. será que consigo tranquilizar a minha mente.

Meditando, analisando, observando o trânsito dos pensamentos. As necessidades que eles geram. As expectativas…..

Ali, bem ali, naquele ponto está a minha mente… tentando de todas as formas encaixotar a realidade. Tentando modificá-la para que fique da forma que ela deseja.

Já percebi.

Agora eu a observo em suas múltiplas tentativas. Nas suas iniciativas.

Mas já há uma modificação dentro de mim.

Mesmo assim é fácil baixar a guarda, é fácil me render a esta atividade da mente. A esta tendência. A inércia é grande.

Vou meditar.

Não…. vou dormir. Dormir é bom, a gente esquece das coisas, o tempo passa.

Quem sabe amanhã tudo esteja diferente.

Quem sabe amanhã com as milhares de coisas que estão disponíveis para serem feitas eu modifique este estado.

Dormir é uma fuga. Como tantas outras.

Fazer milhares de coisas também é uma fuga.

Meditar pode ser uma fuga!

Mas a quem eu estou querendo enganar mesmo?

:>

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Introdução do livro do Prashanto


Esta é a introdução do livro do Prashanto, O Caminho das Nuvens Brancas.

Meu Caminho Até Rajneesh

 Sw. Deva Prashanto

“Goze e Celebre!””Esqueça tudo o que os padres, políticos, educadores, militares e parentes lhe puseram na cabeça e seja você que é ser religioso.””Deus não existe, o divino existe… Dê o pulo no desconhecido e arrisque-se sempre.

“De repentes, encontro-me em Poona, cidade perto de Bombaim, Índia, sentado no cimento frio, num final de agosto, 1978. Centenas de pessoas, quase todas vestidas de laranja: japoneses, alemães, ingleses, americanos… (até de Madagascar encontrei…). Silêncio quase total, pois o cuco pespontava o que aquele cara, todo de branco, barbudo e careca, sentado num pedestal, dizia. Sua voz impressionou-me: era suave e tinha uma vibração sonora diferente – vinha lá do fundo…Cada dia me espantava mais: a demolição era terrível! O tal Rajneesh martelava em todas as direções: as religiões que perderam o contato com as suas origens místicas (levei tempo pra aceitar a palavra místico – Willhelm Reich havia-me vacinado contra ela. A palavra deus ainda levou mais tempo a ser usada naturalmente – materialista, ateu, tinha profundo preconceito contra uma simples palavra!); os sistemas educativos que deformam, esmagam toda a naturalidade, espontaneidade da criança (e eu quase virei um robô…) enfim, todas as sociedades que esmagam o indivíduo através do medo, oculto ou aparente.

Eu estava perplexo! Era demais pra quem havia recém-saído do Brasil, onde a censura, o medo de falar claramente era o cotidiano.Durante três dias vaguei pelo

ashram (comuna) tenso, perdido: meu inglês era quase nenhum, ninguém que falasse espanhol pelo menos… Consegui uma pequena estrevista com Laxmi, uma hindu, pequenina, olhão, secretária geral da Fundação Rajneesh. Expliquei mais ou menos o que me levara lá – um curso chamado “consellour trainning”, para psicoterapeutas (eu era um deles…). Ela falou-me num inglês hindu ininteligível, saí desesperado.Parecia um complô!

Ninguém me dava bola. Eu insistia sobre o curso, ficava na sala de espera, e sempreque podia perguntava por uma tal de Karuna, que era o responsável pelos cursos. Ela nunca estava à vista…Todas as manhãs eu ia ouvir o tal Guru, pelo menos ele dizia coisas interessantes, eu concordava com aquase maioria delas (só em política eu fazia restrições…) No terceiro dia, afinal, encontrei no bar um pintor italiano que falava espanhol. Disse-lhe sobre minhas suspeitas paranóicas. Ele apontou para o seu “mala” (mala é o colar que tem o retrato de Rajneesh): “Aqui quem decide é só ele. Escreva para ele”. Finalmente uma porta se entreabria. Escrevi em português mesmo (descobri que havia uns brasileiros lá- uma era tradutora). Quatro folhas! Anexei um retratinho, botei numa caixinha. Enquanto esperava a resposta ia ouvindo as palestras, participando das meditações públicas: dança sufi

– um montão de gente brincando, dançando (que diabo de meditação era aquela? Sempre achei meditação babaquice, alienação, pois no Brasil os “meditadores” pareciam zumbis, mortos-vivos), de tarde deitava no cimento e ouvia uma gravação antiga do Rajneesh, depois uma outra meditação que me surpreendeu – Nadabhrama: senti com as mãos minha própria energia. A tardinha, outra: Kundalini.

Esta ainda mais surpreendente: começava com o corpo todo sendo sacudido, depois dançar adoidado… Sempre havia ouvido falar que meditar era ficar paradão. (Pratiquei Kundalini vários meses até que um dia, por segundos, tornei-me o sacudir

– sem querer, involuntariamente, todo o meu corpo tremia, parecia que eu ia sair voando…) e à noite o grupo de música. Para mim era a glória, pois sempre gostei de dançar.

Também era meditação!!! “Meditar é estar aqui-agora. Ser total. Não importa o esteja fazendo – faça-o totalmente. “Esse Rajneesh até que tem uns “saques” bons, pensei. “Assim até eu entro na onda da meditação!”. E dançava adoidado. Ficava só de calção (o calor era bárbaro) e quase entrava em transe. A resposta do Rajneesh era: faça todas as meditações e uns grupos (descobri que naquela comuna funcionavam quase 80 grupos de crescimento diferentes – mil técnicas eram utilizadas: Gestalt, Bioenergética, Psicossíntese, Psicodrama, Massagens de tudo o que era tipo, Hipnoterapia, Zen, Sufi, Gurdjieff…) E lá fui eu pro primeiro grupo: Centering, baseado em técnicas gurdjieffianas. Muita brincadeira que me levou à seguinte conclusão: “Você tá ruim mesmo, cara!” A seguir outro grupo: Urja (energia). A coordenadora do grupo (que escreveu um livro famoso: “Massagem Psíquica”) quase não coordenava nada… Foi duramente criticada por quase todos. E ela chorava, lamentando que o Bhagwan havia sugerido que ela e o companheiro vivessem um tempo sem se ver… etc. e tal… E chorava, chorava… “Porra!” que raios de terapia e terapeuta são estes? Ora, eu paguei pra ser terapeutizado e nada acontece. Levei umas fitas de chorinho e dançava. Terminado o grupo, fui para casa e dormi 12 horas direto. Ah!? Malandro, tá sacando!? A técnica não importa, o não-fazer é uma terapia fortíssima. E o velho dizia: “Sentar-se quieto, ficar em silêncio, a primavera chega e a grama cresce sozinha”. Levei tempo pra compreender isto: o Wei Wu Wei dos taoístas

– “ação através da não-ação”. Não opor nenhuma resistência à vida. Fluir.

Havia conhecido os brasileiros. Um deles me dizia: “Torne-se sannyasin (ou seja, discípulo do Rajneesh). Eu, hein!? Velho batalhador de esquerda, marxista, ateu convicto, reichiano, etc. e tal! Andar todo de laranja, com este colar dependurado?

Vade retro!

Mas, ia fazendo os grupos, dançando, observando o que se movimentava ao meu redor. Muitos jovens. Belas mulheres, homens idem. Os mais antigos sem nenhuma ruga, vinco, contração no rosto. Gente abraçando-se minutos a fio. (Estão tirando um sarro, pensava. Já no fim de minha estadia senti o que se passava realmente, com os que ficavam perdidos no abraço: amor, êxtase, o coração querendo explodir). Cada um na sua, mas sentia-se algo diferente no ar (descobri que era simplesmente amor, energia amorosa) que ligava uns aos outros até nas plantas, pedras…

Agora estou no grupo Intensive Englightment (Iluminação Intensiva). Loucura total: 18 horas de trabalho! Você escolhe um parceiro, sentam-se um em frente ao outro e ele pergunta: “Quem é você?” Elá vem coisa: sou isto, aquilo, etc., etc…. Depois troca e repete, e troca… repete. Troca-se de parceiro e repete, repete… Lá pelas tantas…”Sei lá quem sou eu? Quero ir embora!”. No segundo dia descobri que a vida era um jogo, uma brincadeira. Pra que se aporrinhar? Tou aqui pra ser feliz e felicidade é incompatível com seriedade, tensão, preocupação (em 1981, em Florianópolis, alguém me perguntou, após eu ter falado sobre esta visão das coisas: “O que é que você acha que é ser alienado?” Senti logo a barra e soltei meus antigos conhecimentos marxistas-hegelianos sobre o conceito de alienação… e terminei dizendo: “Quem vive em função de conceitos é alienado.

Quer dizer: você pra não ser considerado alienado vive se policiando – já se alienou…) No dia seguinte, ao fazer a meditação dinâmica (outra invenção do Rajneesh pros loucos inconscientes ficarem conscientes de sua loucura. Equivale a um grupo de ginástica respiratória, um grupo de Gestalt, um grupo de bioenergética, um grupo de meditação e uma discoteca da pesada).

Na fase da meditação(você fica totalmente imóvel – menos a mente é claro…) pensei: ora se a vida é uma brincadeira, um jogo, porque você tá levando a sério ser ou não ser sannyasin?

Xeque Mate!

Esse Bhagwan é mesmo das arábias! O suor corria pelo meu corpo, enquanto pensava (o suor não era frio, não, era devido ao esforço da meditação dinâmica…): “Por que não brincar de ser sannyasin?

Você é livre ou não? Pendura este mala e se não gostar, joga fora! Saí dali fui direto: “Quero ser sannyasin” (era dia do meu aniversário).

Dois dias depois, Aron Abend começou a morrer e Sw Deva Prashanto a nascer. Foi assim: sentei-me diante dele. Disse-me “Feche os olhos e ouça o cuco cantar… Abra os olhos.”

Mirei-o: seus olhos estavam quase me tocando fisicamente. Pôs o polegar entre as sobrancelhas e me pôs o mala. “Seu novo nome: Swami Deva Prashanto…”Eu quase não pude ouvir nada, uma luz amarelada envolvia o seu rosto. “Ser sannyasin e renascer.”A partir daí muita coisa mudou e estou de mala até hoje…O que aconteceu?

O que está acontecendo? Só experimentando. Dizer não dá pra entender. Últimas palavras: “Não acredito em nada do que este velho louco diz aqui neste livro… “Experimente tudo você mesmo. Acho até que você nem devia acreditar que ele existe só porque este livro existe… Se puder e quiser procure-o, de qualquer maneira, onde for…… e quando o encontrar, aí você saberá porque todas as palavras são inúteis…

Sw Deva Prashanto

Fonte: http://pt.scribd.com/doc/89708310/OSHO-O-Caminho-Das-Nuvens-Brancas-I

O Caminho das Nuvens Brancas


Um texto do Osho quando ele ainda se chamava Rajneesh, é bem antigo e o livro provavelmente só em sebos.

O Caminho das Nuvens Brancas

 Bhagwan Shree Rajneesh – Osho

Bhagwan, Por que o seu caminho é chamado de “O Caminho das Nuvens Brancas”?

Pouco antes de Buda morrer, alguém lhe perguntou: Quando um Buda morre, para onde vai – ele sobrevive ou simplesmente desaparece no nada?

Esta pergunta não é nova, é uma das mais antigas, muitas e muitas vezes repetida.

Dizem que Buda respondeu: É exatamente como uma nuvem branca desaparecendo. Justamente nesta manhã havia nuvens brancas no céu. Agora, elas não estão mais lá. Para onde foram? De onde vieram? Como surgiram, e como se dissolveram novamente?

A nuvem branca é um mistério – o vir, o ir, o próprio ser dela. Esta é a primeira razão pela qual chamo o meu caminho de “O Caminho das Nuvens Brancas”.

Mas existem outras razões e é bom ponderar, meditar sobre elas.

Uma nuvem branca existe sem nenhuma raiz – é um fenômeno desenraizado, sem qualquer retenção, ou retido no nada. Mas ainda assim existente.

A existência inteira é como uma nuvem branca – sem qualquer raiz, sem qualquer causalidade, sem qualquer causa última – ela existe. Existe como um mistério. Uma nuvem branca não tem, na realidade, nenhum caminho próprio. Vagueia. Não tem onde chegar, não tem objetivo. Não tem destino a ser cumprido. Não tem fim. Você não pode deixar uma nuvem branca frustrada, porque onde quer que ela chegue, é a meta.

Se você tem uma meta, está destinado a ficar frustrado. Quanto mais a mente é orientada para uma meta, mais angústia, ansiedade e frustração possui – porque quando você tem uma meta começa a se mover com um objetivo fixo.

E a existência inteira existe sem qualquer destino. O todo não está indo para lugar algum; não possui nenhuma meta, nenhuma finalidade. Se você tem uma finalidade, está indo contra o todo – lembre-se disto – você ficará frustrado. É impossível vencer o todo. Sua existência é tão frágil – você não pode lutar, não pode conquistar. É impossível conceber um indivíduo sozinho conquistando o todo.

Se o todo não tem finalidade e você tem, você acaba sendo derrotado. Uma nuvem branca deixa-se levar para onde quer que o vento a dirija – não resiste, não luta. Uma nuvem branca não é um conquistador, e mesmo assim flutua acima de tudo. Você não pode conquistá-la, não pode vencê-la. Ela não tem nenhuma mente para ser conquistada – eis porque não se pode derrotá-la.

Quando você está fixado numa meta, propósito, destino ou significado, quando adquire essa loucura de chegar a algum lugar, os problemas começam a surgir. E você acaba sendo derrotado – isto é certo. Sua derrota está na própria natureza da existência. Uma nuvem branca não tem para onde ir. Movimenta-se, vai para todos os lugares. Todas as dimensões lhe pertencem, todas as direções lhe pertencem. Não rejeita nada. Tudo é, existe, numa total aceitação. Por isto, chamo o meu caminho de “O Caminho das Nuvens Brancas”.

As nuvens brancas não têm caminho próprio – vagueiam. Caminho significa chegar a algum lugar. “O Caminho das Nuvens Brancas” é um caminho sem caminho, uma trilha sem trilha. Movimentando-se, mas sem uma mente fixa – movimentando-se sem a mente. Hum? – isto tem de ser compreendido, porque objetivo é sinônimo de mente. Eis porque você não pode conceber uma vida sem objetivo; a mente não pode existir sem objetivo.

E as pessoas são tão absurdas – elas ainda vêm a mim e perguntam: qual a finalidade da meditação? A meditação não pode ter nenhuma finalidade, porque a meditação é basicamente um estado de não-mente – no qual você está, mas não vai a lugar algum; no qual simplesmente estar, ser, é a meta. A meta está aqui e agora. Quando a meta está em algum outro lugar, a mente inicia sua jornada. A mente começa a pensar, inicia um processo. Se o futuro existe, então a mente pode fluir, pode ter seu curso, tem espaço para mover-se. Com o objetivo vem o futuro, e com o futuro vem o tempo. Uma nuvem branca flutua no céu, a temporal – porque então há futuro nem mente para ela. Ela está aqui e agora.

Cada momento é uma eternidade total. Mas a mente não pode existir sem finalidade, assim, ela continua criando propósitos. Se os propósitos chamados de mundanos são perdidos, ela cria propósitos religiosos, propósitos extraterrenos. Se o dinheiro tornou-se inútil, então meditar passa a ser muito útil. Se o chamado mundo das competições, da política, tornou-se sem sentido, então um mundo de religião, de realização, com uma nova competição, torna-se significativo.

A mente sempre almeja algum significado, algum propósito. E para mim, apenas uma mente sem propósitos é religiosa. Mas então a mente já não é mais uma mente. Pense em si mesmo como uma nuvem branca, sem nenhuma mente. No Tibé, os monges meditam, mm? – sentados nas colinas, solitários, absolutamente sós, meditam sobre as nuvens brancas perambulando pelo céu, contemplam – nas continuamente, e pouco a pouco são incorporados, tornam-se nuvens brancas – ficam empoleirados nas colinas como uma nuvem branca. Sem mente, apenas existindo. Sem resistência, sem luta, sem nada para ser alcançado nem para ser perdido. Apenas sentindo o prazer do existir, celebrando o momento – o gozo, o êxtase do existir.

Por isto, chamo o meu caminho de “O Caminho das Nuvens Brancas”. Gostaria que vocês também se tornassem nuvens brancas, vagueando pelo céu. Eu digo vagueando, não caminhando, não dirigindo-se para um ponto – apenas vagueando para onde quer que o vento os leve. Esteja onde estiver, esse lugar é a meta. A meta não é algo que termina em algum ponto, um fim de linha. A meta é o próprio momento.

Aqui, para mim, você é um siddha, um ser iluminado. Aqui, você já se realizou. Aqui já é tão perfeito quanto pode ser, é como um Buda, um Mahavir, ou um Krishna. Não tem mais nada para alcançar. Neste exato momento, tudo está presente – apenas você não percebe. E você não percebe porque sua mente está no futuro. Não está aqui. Você não está consciente do que está lhe acontecendo neste exato momento. E tem sido sempre assim. Por milhões e milhões de vidas tem sido assim.

Você tem sido um Buda o tempo todo. Nem por um único momento isto foi perdido. Isto não pode ser perdido – porque é assim que a natureza, as coisas são. É impossível perder isso! Mas você não percebe e não pode perceber porque sua meta está em algum outro lugar, em algo que tem de ser conseguido. Assim, cria uma barreira e perde o que já é. Uma vez que esse estado é revelado, uma vez que é compreendido, uma vez que você se torna consciente dele, o maior mistério do ser é revelado – todo o mundo é perfeito. Mm? – isto é o que queremos dizer quando falamos que todo mundo é Brahma – que todo mundo é a alma, a alma suprema, o Divino. Isto é o queremos dizer quando falamos Tattwamasi – você já é. Não precisa se tornar, porque se tivesse que se tornar, então não seria.

E se você já não fosse, como poderia vir a ser? A semente torna-se árvore porque a semente já é isso. Uma pedra não pode transformar-se numa árvore. A semente torna-se árvore porque a semente já é isso! Assim, a questão não é de transformação, a questão é apenas de revelação. A semente revela-se neste momento como uma semente; no momento seguinte, como uma árvore. Portanto, esta é apenas uma questão de revelação. E se você puder penetrar nisto profundamente, verá que a semente já é a árvore neste exato momento.

Fonte: http://pt.scribd.com/doc/89708310/OSHO-O-Caminho-Das-Nuvens-Brancas-I

Sobre o autor:  Bhagwan Shree Rajneesh

A mente


Existem diversas definições para a mente.

Algumas enfocam sob o aspecto psicológico, científico ou então filosófico e algumas vezes a sabedoria popular também nos auxilia a entender este maravilhoso mecanismo.

Ultimamente eu tenho observado a mente como um filtro.

Existe o mundo lá fora, o Universo. E existe a nossa consciência, nosso Eu Superior.

A mente se interpõe entre esses dois e efetua a tradução das energias e informações.

A realidade é simples, prática, direta.

A interpretação de cada um de nós é sempre desfocada. Sempre influenciada pela forma como a nossa mente foi elaborada desde o dia em que nascemos.

Alguns de nós possuem uma mente mais leve e efetuam a tradução das energias de uma forma também leve, tranquila e feliz.

Enquanto que outros possuem um filtro pesado, cheio de limites e crenças, estes acabam por fazer uma tradução mais pesada, mais carregada de problemas e dificuldades.

Durante uma terapia eu consigo observar este filtro se interpondo entre a realidade e a consciência da pessoa que estou atendendo.

Algumas vezes se torna fácil perceber as crenças, os limites que as pessoas se impõem. É fácil perceber quando o filtro está desviando, alterando a realidade para que ela se adapte as suas necessidades.

Em algumas situações a forma de atuar da mente, distorcendo a realidade, fica tão evidente que por isto mesmo não é percebida pela pessoa. Em outras situações pode-se notar os mecanismos da mente para deformar o filtro. Os desvios…. as negações…. as interpretações equivocadas.. o uso de razões inadequadas as situações.

Por mais incrível que possa parecer alterar estes padrões é muito fácil, muito simples. Entretanto é preciso que este seja o objetivo da consciência. Neste ponto pode-se observar que a maioria não quer alterar os padrões. Seja por um efeito de inércia, seja por comodismo. Resta então respeitar a opção de cada um, ao mesmo tempo em que se salienta as fissuras que estão surgindo no filtro, ressaltando os pontos onde uma determinada forma de traduzir a realidade não é mais satisfatória. Para então permitir que no devido tempo a consciência busque uma forma de alterar este padrão e crescer.

Uma das principais e mais simples ferramentas disponíveis é a dúvida.

Duvide, duvide de tudo.

Quando frente a uma determinada situação a sua mente responde de pronto, rápida, sem pensar, sem analisar, sem ponderar!!! Lance a dúvida! Pergunte-se da onde surge aquela reposta, aquela reação.

Permita-se duvidar de si mesmo.

Através deste simples exercício novas fissuras surgirão no seu ser, e elas permitirão que mais luz, ou seja, mais realidade, passe através do seu filtro.

Quanto menos informação for filtrada mais próximo da realidade você estará.

Quanto mais próximo da realidade mais paz, tranquilidade, amor e confiança em Deus surgem em seu Ser.

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