Quarta vivência – 4a parte

Falando um pouco mais sobre a última vivência com a ayahuasca tem alguns pontos que ainda permanecem.

Um aspecto interessante é o efeito do DMT sobre os sentidos.

Sobre a visão eu já coloquei vários relatos e já pude perceber o padrão.

Sobre o paladar eu não cheguei a sentir grande alteração, provavelmente porque durante o período mais intenso de atuação do DMT eu praticamente não coloco nada na boca. Acho que na segunda vivência eu tomei um pouco de água, mas não senti alteração no gosto. Ao final, já sem os principais efeitos,  a alimentação se mostra normal, sem qualquer alteração. Apenas o estômago fica um pouco sensível, assim nada de alimentos muito fortes, picantes ou de sabor muito intenso.

O tato também não se mostrou alterado a ponto de chamar a atenção. O tocar em si mesmo ou nas coisas ao redor tais como mantas, cadeira, paredes, não chega a apresentar qualquer alteração. A percepção de energia do Reiki nas mãos que se manifesta constantemente não mostra nenhuma mudança muito drástica, é uma percepção como as que eu tenho durante as aplicações normais.

Como nesta última vivência eu recorri a um bloco de anotações eu pude perceber que a escrita se manifestava muito rápido, precisei estar muito atento para escrever algo que fosse legível depois e, mesmo assim alguns pontos que escrevi eu não consegui “decifrar” depois… :<<<

A lembrança que eu tenho é de minha mão percorrendo muito rápida o papel. Quebrei a ponta do grafite várias vezes, a ponto de temer não ter como escrever mais depois. :<<

A audição sim tem uma alteração muito grande. Não sei dizer se a música do ambiente influencia criando um foco muito intenso mas praticamente tudo o que ouço parece vir de algum lugar muito distante.

Ainda preciso observar melhor este sentido!

Não sei dizer se o cérebro processa muito rápido os sons de vozes humanas do ambiente ou se é o contrário: o processamento é mais lento.

As conversas que ouço ocorrendo ao redor são sempre entrecortadas, com partes que não são audíveis enquanto que outras parecem ser ditas em uma velocidade muito rápida.

Acredito que a música com um volume alto em primeiro plano concentra muito a atenção do cérebro, pois com ela não ocorre nenhum retardo ou aceleração. Posso acompanhar a música, cantar junto e repetir as frases mentalmente sem qualquer problema.

Outro aspecto é que ao lado do local onde temos as vivências há um córrego que movimenta uma roda de moinho, isto gera um barulho constante de água caindo, agradável para dormir e relaxar mas muito intenso em determinados pontos da vivência. Sobrecarregando um pouco a audição e o processamento do cérebro.

Talvez por isto o restante dos sons acabem por sofrer uma certa falta de foco, como se não houvesse capacidade para trabalhar com eles.

A tendência que tenho é considerar o processamento cerebral muito rápido, tanto que ao tentar falar com alguém é preciso uma certa calma, pois as palavras parecem saltar da boca com muita rapidez e dificultar entendimento por parte do colega.

Ao mesmo tempo em que se intensificam estas percepções em determinados momentos consigo me abstrair completamente dos sons. Inclusive da música de primeiro plano. Como se a audição pudesse ser desligada.

Este aspecto merece um pouco mais de atenção nas futuras vivências!! :>

O olfato é um ponto diferente. Percebo que ocorrem picos de percepção.

Meu olfato não é dos mais desenvolvidos, confesso que é um sentido que uso pouco no dia a dia.

Durante a ação do DMT eu tenho momentos onde os cheiros me chegam com muita intensidade. Seja o perfume de alguém no local, um cheiro de tinta ou verniz da madeira, um incenso que foi aceso ou cheiros do ambiente ao redor que se manifestam.

As vezes um determinado cheiro causa uma sobrecarga, impressionando demais e atraindo atenção demais. Lembro que nesta última vez eu estava próximo a uma das madeiras que dá sustentação ao telhado e em alguns momentos o cheiro do produto usado para pintar a mesma se tornou muito forte, um cheiro próximo a solvente de verniz. O incomodo foi tanto que precisei me movimentar um pouco e alterar a minha posição para não sentir o mesmo. Depois passou, sumiu e acabei esquecendo dele.

A respiração trás em muitos momentos o cheiro da ayahuasca, misturada com o líquido digestivo, causando um certo desconforto, rápido e passageiro, mas mesmo assim perceptível.

Saindo dos cinco sentidos básicos podemos ainda falar da percepção de equilíbrio e de espaço. Se movimentar se torna complicado. Principalmente durante os picos de DMT, as ondas, e no período antes e depois dos mesmos. Nas pausas entre estes três eventos conseguimos nos movimentar com algumas restrições.

É preciso uma certa calma e uma atenção redobradas. Cair é muito fácil. Executar um gesto com um excesso, ou falta, de força é comum. Levantar e sentar inclui um certo perigo.

Acredito que com o tempo isto pode ser dominado adequadamente. O corpo se adapta muito rápido. Mas é preciso um pouco de treino.

Escapar destes efeitos é impossível, principalmente durante uma onda de DMT, não há como controlar o efeito que irrompe no cérebro. Nesta hora a única ação é respirar, respirar e respirar.

:>

 

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