Texto sobre o mestre Irineu


O mestre Irineu foi o fundador, criador, do Santo Daime. Muito já se escreveu sobre ele, a seguir um texto que gostei bastante:

 Aí o Antônio Costa foi e deixou ele mais entusiasmado…

Ele (Mestre Irineu) perguntou:

– Rapaz, tu conhece esse material que eles utilizam (pra fazer a Ayahuasca)?

Aí ele (Sr. Antônio) disse:

– Conheço. E por aqui tem é muito.

– E é rapaz? Me mostra.

Antônio Costa foi mostrar o Jagube (cipó) e a Rainha (folha). Aí o Mestre Irineu um dia, pôs na cabeça, aí perguntou:

– E como é que eles fazem?

– Eles batem. Informou. Cozinham e etc. e tal… Um chá, é isso aí.

Aí foi quando o Mestre Irineu preparou um pouco daquele material indicado.

Fez como Antônio Costa pediu, fez lá um pouco. Mas o Antônio Costa viajou porque ele trabalhava no comércio como regatão, dentro daqueles seringais, naquelas colocações que margeavam o rio. Aí na hora dele beber ele temeu, achando que tava sozinho. Ele não sabia como reagiria e aí temeu:

– Eu vou esperar o companheiro voltar. Quando ele chegar aí eu vou convidar ele. De dois é melhor.

Quando o Antônio Costa retornou, ele foi e contou a história e disse:

– Ói, tá aí. Eu tava te esperando pra nóis tomar.

Aí o Antônio Costa quis refugar:

– Rapaz você não conhece e eu também não. E depois se isso aí der um negócio aí, o contrário… Como é que nós vamos se arrumar?

Aí o Mestre Irineu foi e disse assim pra ele, que era quando era fácil de ele pegar o Antônio Costa.

– Rapaz eu tava pensando que tu ia tomar mais eu, tu não vai tomar não?

Então tu não é homem não rapaz (risos)… (Era quando mexia aí nessa tecla).

Ele (Mestre Irineu) disse:

–Você é homem?

Ele disse:

– Sou, e vamos tomar.

Aí eles tomaram. O Antônio Costa foi quem teve a primeira visão com a Rainha. Ela identificou-se. Ele anunciou pro Mestre assim que tinha uma senhora ali, dizendo que tinha sido a companheira do Mestre desde que ele saiu do Maranhão.

– E ela tá aqui conversando comigo (falou o Sr. Antônio).

Aí ele (Mestre Irineu) disse:

– Pergunta como é o nome dela?

– Irineu, ela tá dizendo que o nome dela é Clara.

Aí foi que o Mestre se enrolou mais, porque além de no navio, no transporte que pegava de lá pra cá, não vinha mulher, só vinha homem… E essa Clara?

– Bom, ela tá dizendo que tu te prepares que dia tal ela vem. A gente toma Daime que ela vem. Aí vai se apresentar a ti mesmo.

Ficou acertado assim, e ele já ficou ansiando pra chegar o dia. Até que chegou o dia marcado. Ele tomou. Foi quando ela realmente apareceu pra ele, tendo como o seu trono a lua. Ela veio pousada dentro da lua. Aí ele pasmou. Ele nunca tinha visto e nem imaginava de estar ali diante de tanta formosura. Porque ela era tão visível que ele definia nela tudo. Toda a beleza, as pestanas, as sobrancelhas… Uma divindade. Foi quando ela falou pra ele, se identificou como mãe, disse:

– Eu sou a tua mãe. A Clara justamente. Você tá aqui na presença dela, tua mãe, a Virgem da Conceição. Ou tu acha que tu tá enganado? Tu tá me vendo aqui como Satanás é?

– Ave Maria, minha mãe. Nunca, nunca. Não tem lógica. Jamais.

– Mas tu imagina o que de mim? Eu sou uma feiticeira?

– Ave Maria minha mãe, jamais.

– Então é tu mesmo que vai dizer, quem é que tu acha que eu possa ser.

Aí ele disse que só acertou dizer pra ela:

– A senhora pra mim é uma Deusa Universal.

Juntou todo o quadro… não dava outra coisa, a não ser uma Deusa Universal. Foi quando ela disse:

– Mas tu acha que o que tu ta vendo alguém já viu?

Aí ele embaraçou… Até porque ele era um iniciante e essa bebida já vinha…

E ele achou que ele tava vendo era o resto daquilo que os outros deixaram de ver. Ela disse:

– É teu engano. Porque o que tu tá vendo aqui ninguém nunca viu. Daquela forma, ninguém nunca viu. Só tu. Portanto, eu quero firmar um compromisso contigo e mais adiante um pedido tu me pedes. Aí eu tô pronta para atender.

(entrevista, maio/2007, Rio Branco – AC)

Fonte: http://repositorio.bce.unb.br/bitstream/10482/11880/1/ARTIGO_BreveHist%C3%B3ricoRessignifica%C3%A7%C3%A3o.pdf

:>

Sobre o cérebro


Uma palestra do TED sobre o cérebro e seus hemisférios dentro do contexto de uma cientista que teve um derrame cerebral.

Muito interessante a informação sobre a atuação dos dois hemisférios, suas funções e também a forma como a palestrante viveu a situação.

Parte I

Parte II

Vale a pena cada um dos 18 minutos!!

:>

 

O barco vazio


Um texto muito inspirador do Osho, extraído do livro:

Barco vazio - Osho

O barco vazio – Osho

Aquele que governa os homens vive na confusão;

Aquele que é governado pelos homens vive na tristeza.

Yao, portanto, não desejava

Nem influenciar os outros

Nem ser influenciado por eles.

A chave para dissipar a confusão

E ficar livre da dor

É viver com o Tao

Na terra do grande Vazio.

Se um homem estiver atravessando um rio

E um barco vazio colidir com a sua própria embarcação,

Mesmo que ele seja um homem mal-humorado

Não vai ficar muito irritado.

Mas se vir um homem no outro barco,

Ele vai gritar com ele para que reme direito.

Se o seu grito não for ouvido, ele vai gritar de novo,

E mais uma vez, e começará a xingar.

Tudo porque há alguém no barco.

Se o barco estivesse vazio,

Ele não estaria gritando nem ficaria com raiva.

Se você conseguir esvaziar o seu barco

Ao atravessar o rio do mundo,

Ninguém vai se opor a você,

Ninguém vai tentar lhe fazer mal.

 A árvore reta é a primeira a ser cortada,

A fonte de águas límpidas é a primeira a ser secada.

Se deseja melhorar sua sabedoria

E envergonhar o ignorante,

Cultivar o seu caráter

E ofuscar os outros;

Uma luz brilhará à sua volta

Como se tivesse engolido o Sol e a Lua:

Você não evitará a catástrofe.

 Um sábio já dizia:

Aquele que se contenta consigo

Fez uma obra inútil.

O sucesso é o começo do fracasso,

A fama é a origem da desgraça.”

 Quem pode se libertar do sucesso

E da fama, e descer e se perder

Em meio à massa humana?

Esse fluirá como o Tao, invisível,

Avançará como a própria vida

Sem nome e sem lar.

É simples e não faz distinção.

Aparentemente é um tolo.

Seus passos não deixam rastro.

Não tem nenhum poder.

Nada consegue, não tem reputação.

Como não julga ninguém,

Ninguém o julga.

Assim é o homem perfeito:

Seu barco está vazio.

Você veio até mim. Deu um passo perigoso. Correu um risco, porque perto de mim você pode se perder para sempre. Chegar mais perto vai significar a morte e não pode significar outra coisa. Sou como um abismo. Aproxime-me e você vai cair dentro de mim. E para isso, o convite foi feito. Você ouviu e veio.

 Esteja ciente de que por meu intermédio você não vai ganhar nada. Por meu intermédio você só pode perder tudo — porque, a menos que você esteja perdido, o divino não poderá acontecer, a menos que você desapareça totalmente, o real não poderá surgir. Você é a barreira.

 E você é tanto, e tem tanta teimosia, você é tão cheio de si mesmo que nada pode penetrar em você. As suas portas estão fechadas. Quando você desaparece, quando você não está, as portas se abrem. Então você se torna simplesmente como o céu vasto e infinito.

 Essa é a sua natureza. Esse é o Tao.

 Antes de começar a bela parábola de Chuang Tzu, O Barco Vazio, eu gostaria de contar outra história, porque isso vai definir a tendência desse retiro de meditação em que você está entrando.

 Eu ouvi…

 Aconteceu uma vez, em algum tempo antigo, em algum país desconhecido, que um príncipe de repente enlouqueceu. O rei ficou desesperado — o príncipe era seu único filho, o único herdeiro do reino. Todos os magos foram chamados, os milagreiros, os médicos foram convocados, todo esforço foi feito, mas em vão. Ninguém conseguiu ajudar o jovem príncipe, que continuou louco.

 No dia em que ficou louco, ele jogou fora suas roupas, ficou nu e passou a viver debaixo de uma grande mesa. Ele achou que tinha se tornado um galo. Por fim, o rei teve que aceitar o fato de que o príncipe não se recuperaria. Ele tinha ficado permanentemente insano, pois todos os especialistas tinham fracassado.

 Mas, um dia, mais uma vez a esperança raiou. Um sábio, um sufi, um místico, bateu na porta do palácio e disse: “Peço uma chance de curar o príncipe.”

 O rei ficou desconfiado, porque esse homem parecia, ele próprio, um louco ainda mais louco do que o príncipe. Mas o místico disse: “Só eu posso curá-lo. Para curar um louco, é necessário um louco ainda maior. E seus milagreiros, seus médicos especialistas, todos falharam, porque eles não sabem o á-bê-cê da loucura. Nunca percorreram esse caminho.”

 Parecia lógico, então o rei pensou: Que mal pode haver? Por que não tentar? Então, deram a ele uma oportunidade.

 No momento em que o rei disse: “Tudo bem, você pode tentar”, esse místico jogou fora as roupas, saltou para debaixo da mesa e cantou como um galo.

 O príncipe ficou desconfiado, e disse: “Quem é você? E o que acha que está fazendo?”

 O velho disse: “Eu sou um galo mais experiente que você. Você não é nada, é apenas um recém-chegado, no máximo um aprendiz.”

 O príncipe disse: “Então, tudo bem se você também for um galo, mas parece um ser humano.”

 O velho disse: “Não vá pelas aparências, olhe para o meu espírito, a minha alma. Eu sou um galo como você.”

 Eles se tornaram amigos. Prometeram um ao outro que sempre viveriam juntos — e o mundo inteiro estava contra eles.

 Alguns dias se passaram. Um dia o velho de repente começou a se vestir. Ele colocou a camisa. O príncipe disse: “O que você está fazendo? Ficou louco? Um galo tentando colocar uma roupa humana?”

 O velho disse: “Estou apenas tentando enganar os tolos, esses seres humanos. E, lembre-se, mesmo que eu esteja vestido, nada mudou. Minha natureza de galo permanece, ninguém pode mudar isso. Apenas por me vestir como um ser humano você acha que eu mudei?” O príncipe teve de concordar.

 Poucos dias depois o velho convenceu o príncipe a se vestir, porque o inverno estava chegando e estava cada vez mais frio.

 Então, um dia, de repente, o velho pediu comida do palácio. O príncipe ficou muito ressabiado e disse: “Seu patife, o que quer dizer com isso? Você vai comer como os seres humanos? Como eles? Somos galos e temos que comer como galos.”

 O velho disse: “Nada faz nenhuma diferença no que diz respeito a este galo. Você pode comer qualquer coisa e pode desfrutar de tudo. Você pode viver como um ser humano e permanecer fiel à sua natureza de galo.”

 Pouco a pouco o velho convenceu o príncipe a retornar ao mundo da humanidade. Ele tornou-se absolutamente normal.

 O mesmo acontece com você e comigo. E, lembre-se, você está apenas se iniciando, é um iniciante. Você pode pensar que é um galo, mas está apenas aprendendo o alfabeto. Eu sou um veterano, e só eu posso ajudá-lo — todos os especialistas fracassaram, por isso você está aqui. Você tem batido em muitas portas, durante muitas vidas esteve nessa busca — nada ajudou você.

 Mas eu digo que posso ajudá-lo porque não sou um especialista, não sou alguém de fora. Tenho viajado pelo mesmo caminho, pela mesma insanidade, pela mesma loucura. Eu passei pelo mesmo que você — a mesma miséria, a angústia, os mesmos pesadelos. E tudo o que estou fazendo não é nada além de persuadi-lo a sair da sua loucura.

 Pensar que você é um galo é maluquice; pensar que você é um corpo é maluquice também, mais maluquice ainda. Pensar que você é um galo é loucura; pensar que você é um ser humano é uma loucura ainda maior — porque você não pertence a nenhuma forma. Seja de um galo ou de um ser humano, a forma é irrelevante — você pertence ao sem forma, você pertence ao total, ao todo. Assim, seja qual for a forma que você pensa que tem, você está louco. Você é sem forma. Você não pertence a nenhuma forma, e você não pertence a nenhum organismo, você não pertence a nenhuma casta, religião, credo; você não pertence a nenhum nome. E, a menos que você se torne sem forma, sem nome, você nunca será saudável.

 Sanidade significa chegar ao que é natural, chegar ao que é perfeito em você, ao que está escondido atrás de você. Muito esforço é necessário porque para cortar a forma, deixar para trás e eliminar a forma, é muito difícil. Você se tornou muito apegado e identificado a ela.

 Este Samadhi Sadhana Shibir, este campo de meditação, nada mais é do que persuadi-lo a seguir na direção do sem forma — como não ficar na forma. Toda forma significa ego; até mesmo um galo tem seu ego, e o homem também tem o seu. Toda forma é centrada no ego. Sem forma significa sem ego; você não está mais centrado no ego, o seu centro está em toda parte ou em parte alguma. Isso é possível, isso que parece quase impossível é possível, porque aconteceu comigo. E, quando eu falo, falo por experiência.

 Seja o que você for, eu fui; e, seja o que for que eu seja, você pode ser. Olhe para mim o mais profundamente possível e sinta-me tão profundamente quanto possível, porque eu sou o seu futuro, eu sou a sua possibilidade.

 Sempre que eu digo para você se render a mim, quero dizer se render a essa possibilidade. Você pode ser curado, porque a sua doença é apenas um pensamento. O príncipe ficou louco porque se identificou com o pensamento de que era um galo. Todo mundo é louco, a menos que chegue a compreender que não está identificado com nenhuma forma — só então vem a sanidade.

 Uma pessoa sã, portanto, não será ninguém em particular, não pode ser. Só um louco pode ser alguém em particular — seja um galo ou um homem, ou um primeiro-ministro ou um presidente, qualquer coisa, seja o que for. Uma pessoa sã passa a sentir a condição de ser um ninguém.

 Esse é o perigo… Você veio até mim como alguém e, se me permitir, se me der uma oportunidade, essa condição de ser alguém pode desaparecer e você pode se tornar um ninguém. Todo o esforço é nesse sentido — torná-lo um ninguém. Mas por quê? Por que esse esforço para se tornar um ninguém? Porque, a menos que se torne um ninguém, você não poderá ser feliz; a menos que se torne um ninguém, você não poderá ficar em êxtase; a menos que se torne um ninguém, a bênção não se derramará sobre você — você continuará desperdiçando sua vida.

 Na realidade você não está vivo, você simplesmente se arrasta por aí, simplesmente carrega a si mesmo como um fardo. Muita angústia acontece, muito desespero, muita tristeza, mas nem um único fulgor de felicidade — ela não pode acontecer. Se você é alguém, você é como um bloco sólido de pedra, nada pode penetrar em você. Quando você é ninguém, você começa a se tornar poroso. Quando você é ninguém, você é na verdade um vazio, transparente, tudo pode passar através de você. Não existe nenhum impedimento, não existe nenhuma barreira, nenhuma resistência. Você se torna uma passividade, uma porta.

 Neste exato momento você é como uma parede; uma parede significa alguém. Quando se torna uma porta, você se tornará ninguém. Uma porta é apenas um vazio, qualquer um pode passar, não existe nenhuma resistência, nenhuma barreira. Se é alguém, você está louco; se é ninguém, você pela primeira vez se tornará sadio.

 Mas toda a sociedade, educação, civilização, cultura, todas elas cultivam você e o ajudam a se tornar alguém. É por isso que eu digo que a religião é contra a civilização, a religião é contra a educação, a religião é contra a cultura — porque a religião é a favor da natureza, é a favor do Tao.

 Todas as civilizações são contra a natureza, porque elas querem fazer de você alguém em particular. E quanto mais você se cristaliza como alguém, menos o divino pode penetrar em você.

 Você vai aos templos, às igrejas, aos sacerdotes, mas ali também você está em busca — como tornar-se alguém no outro mundo, como alcançar algo, como obter sucesso? A mente em busca de conquistas segue você como uma sombra. Aonde quer que você vá, você vai com a ideia de lucro, de realização, de sucesso, de resultado. Se alguém veio aqui com essa ideia, essa pessoa deve sair o mais breve possível, deve fugir o mais rápido possível de mim, porque não posso ajudá-la a se tornar alguém.

 Eu não sou seu inimigo. Só posso ajudá-lo a ser ninguém. Só posso empurrá-lo para o abismo sem fundo. Você nunca vai chegar a lugar nenhum, você vai simplesmente se dissolver. Você vai cair, cair e cair e se dissolver, e, no momento em que se dissolve, toda a existência entra em êxtase. Toda a existência celebra esse acontecimento.

 Buda alcançou isso. Por causa do idioma eu digo “alcançou” — do contrário, a palavra é feia, porque nada foi alcançado, mas você vai entender. Buda alcançou esse vazio, esse nada. Durante duas semanas, por catorze dias, continuamente, ele se sentou em silêncio, sem se mover, sem dizer nada, sem fazer nada.

 Dizem que as divindades no céu ficaram preocupadas — raramente acontece de alguém se tornar um vazio tão absoluto. Toda a existência sentiu uma celebração, as divindades vieram. Fizeram uma reverência diante de Buda e disseram: “É preciso que diga alguma coisa, que diga o que você alcançou.” Dizem que Buda riu e disse: “Eu não alcancei nada; mas sim, por causa dessa mente, que sempre quer alcançar alguma coisa, eu estava perdendo tudo. Eu não alcancei nada, isso não é uma conquista; pelo contrário, o conquistador desapareceu. Eu não existo mais, veja a beleza disso”, disse Buda. “Quando eu existia, era infeliz, e, agora que eu não existo mais, tudo é feliz, a felicidade se derrama continuamente sobre mim, em todos os lugares. Agora não há mais sofrimento.”

 Buda havia dito antes: “A vida é sofrimento, o nascimento é sofrimento, a morte é sofrimento — tudo é sofrimento.” Era sofrimento porque o ego estava lá. O barco não estava vazio. Agora, o barco estava vazio, agora não havia mais sofrimento, nenhum pesar, nenhuma tristeza. A existência se tornara uma celebração e permaneceria uma celebração pela eternidade, para sempre.

 É por isso que eu digo, é perigoso que você tenha vindo até mim. Você deu um passo arriscado. E, se você for corajoso, então, esteja pronto para o salto.

 Todo o esforço é no sentido de matá-lo; todo o esforço é como destruir você. Uma vez destruído, o indestrutível virá à tona — ele está lá, escondido. Depois que tudo o que não é essencial for eliminado, o essencial será como uma chama — vivo em sua glória total.

 Esta parábola de Chuang Tzu é linda. Ele diz que um homem sábio é como um barco vazio.

 Assim é o homem perfeito — seu barco está vazio.

Não há ninguém dentro.

 Se você encontrar alguém como Chuang Tzu, Lao Tsé ou eu, o barco estará ali, mas ele estará vazio — não haverá ninguém nele. Se você simplesmente olhar para a superfície, então verá alguém lá, porque o barco está lá. Mas, se penetrar mais profundamente, se realmente se tornar íntimo do meu ser, se esquecer o corpo, o barco, então você acabará por encontrar um nada.

 Chuang Tzu é uma flor rara, porque tornar-se ninguém é a coisa mais difícil, quase impossível, a coisa mais extraordinária do mundo.

 A mente comum anseia por ser extraordinária, o que faz parte do ordinarismo; a mente ordinária deseja ser alguém em particular, o que faz parte do ordinarismo. Você pode se tornar um Alexandre, mas continuará sendo ordinário, comum — então quem é extraordinário? O extraordinário só começa quando você não anseia pelo extraordinário. Então a viagem começou, então, uma nova semente brotou.

 Isso é o que Chuang Tzu quer dizer quando afirma: “Um homem perfeito é como um barco vazio”. Muitas coisas estão implícitas nisso. Em primeiro lugar, um barco vazio não vai a lugar nenhum, porque não há ninguém para dirigi-lo, ninguém para manipulá-lo, ninguém para encaminhá-lo a algum lugar. Um barco vazio está apenas ali, não está indo a lugar nenhum. Mesmo que esteja se movendo, não estará indo a lugar nenhum.

 Se a mente não está ali, a vida continuará a ser um movimento, mas não vai ser dirigida. Você vai se mover, você vai mudar, você será um fluxo como um rio, mas não estará indo a lugar nenhum, não terá nenhum objetivo em vista. Um homem perfeito vive sem nenhuma finalidade; um homem perfeito avança, mas sem nenhuma motivação. Se você perguntar a um homem perfeito: “O que você está fazendo?”, ele dirá: “Eu não sei, isso é o que está acontecendo.” Se você me perguntar por que estou falando com você, eu vou dizer: “Pergunte à flor por que a flor está florescendo.” Isso está acontecendo, não é algo manipulado. Não há ninguém para manipulá-lo, o barco está vazio. Se existir um propósito, você sempre viverá em sofrimento. Por quê?

 Uma vez um homem perguntou a um avarento, um grande avarento: “Como você conseguiu acumular tantas riquezas?”

 O avarento disse: “Este tem sido o meu lema: tudo o que é para ser feito amanhã tem que ser feito hoje, e tudo o que é para ser desfrutado hoje tem que ser desfrutado amanhã. Esse tem sido o meu lema.” Ele conseguiu acumular riquezas — essa também é a maneira como as pessoas conseguem acumular absurdos.

 O avarento também era infeliz. Por um lado, ele conseguiu acumular riqueza; por outro lado, conseguiu acumular infelicidade. O lema é o mesmo para o acúmulo da infelicidade: tudo o que é para ser feito amanhã, faça hoje, agora, não adie. E tudo o que pode ser desfrutado agora, não desfrute agora, adie para amanhã.

 Esse é o caminho para entrar no inferno. É sempre bem-sucedido, nunca é um fracasso. Experimente e você vai ter sucesso — ou, talvez, já tenha conseguido. Você pode estar tentando sem saber. Adie tudo o que pode ser desfrutado agora, só pense no amanhã.

Osho, em “O Barco Vazio: Reflexões Sobre as Histórias de Chuang Tzu”

Editora Cultrix

Opções de compra: http://compare.buscape.com.br/barco-vazio-o-reflexoes-sobre-a-historia-de-chuang-tzu-osho-853161211x.html#precos

:>

Oração


Mais um hino muito belo do Daime:

– Hino 28 – Oração

Óh Grande Espírito, Pai e Mãe de todos os seres viventes

que caminha nas asas do vento e sua voz se faz nos trovões.

Abençoe toda a humanidade, traga luz a nossas mentes.

Que um país não guerreie o outro, que haja paz nos corações.

Que forjem estufas de seus canhões e sementeiras de seus mísseis

Que contemplem a mãe natureza, compreendam suas leis e lições.

Que saibam que a única vitória é a que não deixam derrotados.

Que toda ação e palavras proferidas sejam na direção do amor

Que os víveres de todos os planos possam se sentir amados

Que teus olhos e ouvidos vejam e escutem este clamor.

Que desvaneça o egoísmo e que surja a luz da generosidade.

Que desvaneça a ignorância e que surja a luz da compreensão.

Que desvaneça a falsidade e que surja a luz da verdade.

Que compreendam a felicidade que provém de suas mãos

Que acordem da ilusão das drogas, que saiam da iniqüidade.

Que alcancem o equilíbrio entre o espírito e a razão.

Que se libertem da ilusão da culpa e que vivam a verdade.

Que alcance o estado de Buda e gozem da liberdade.

Que saibam que o que sai do DIVINO também é divindade.

Que o CRISTO interno dos homens já se torne uma realidade.

Que conheçam o espírito de tribo e que vivam em irmandade.

Que todos compreendam de vez, que para um mundo de paz.

Um sorriso e uma mão firme estendida, muita diferença faz.

Mitakue Oasin.

Fonte: http://www.ceunossasenhoradaconceicao.com.br/a-obra/hinario-cnsc/71-oracao

Relato


Tem um relato que eu queria compartilhar há algum tempo, mas tenho me esquecido dele constantemente. :<<

No ano passado eu fiz dois atendimentos que tiveram um fato bem marcante em comum. Aconteceram em locais diferentes e com pessoas diferentes. Em comum apenas o tipo de energia envolvido.

Ainda não tirei nenhuma conclusão e também não reconheci alguns dos elementos envolvidos, entretanto o que eu senti em ambos os casos é que a ajuda foi benéfica para as pessoas.

Vamos ao primeiro relato:

Eu estava fazendo uma aplicação de Reiki e o cliente tinha relatado um certo cansaço e também já estava acompanhando com alguns exames uma situação de saúde um pouco grave.

Iniciei a aplicação normalmente e estava seguindo os passos tradicionais, as posições clássicas.

Quando eu estava aplicando sobre a região do chakra umbilical percebi a presença de energias muito densas grudadas nesta região. Mas não parecia ser um simples caso de energia densa, era algo bem mais consistente, embora eu não tenha conseguido observar o que era.

Algumas possibilidades são as larvas astrais, formas pensamento negativas, energia negativa muito condensada ou algo externo como energia provinda de outra consciência extrafísica, o que chamamos popularmente de trabalho, ainda havia a possibilidade de um implante, um chip extraterrestre.

Estas possibilidades podem parecer um pouco estranhas, esquisitas na verdade, principalmente as últimas. Fogem um pouco ao nosso conhecimento mais diário. Entretanto, todos as possibilidades existem, mesmo que não acreditemos nelas.

Nesta aplicação eu não cheguei a perceber o que era realmente que estava grudado na pessoas e isto também não foi o único ponto interessante.

A intuição que recebi foi a de fazer movimentos para retirar o que estava grudado na região do abdômen do cliente e soltar no chão, ao lado da maca. Inclusive senti necessidade de agitar um pouco as mãos para realmente soltar a energia. Também utilizei a Chama Violeta para limpar as minhas mãos e o meu corpo de algum resíduo que tivesse ficado grudado.

Com este tipo de procedimento eu já estava acostumado. Isto acontece muitas vezes nas sessões e tratamentos com Reiki. Embora a questão de chips e implantes seja algo raro nas minhas experiências as demais possibilidades são bem comuns.

O segundo ponto interessante, digno de nota e razão dos escritos de hoje veio a seguir.

A medida em que eu removia aquela energia e jogava no chão começaram a surgir na sala algumas presenças diferentes daquelas que eu estou acostumado a perceber.

Normalmente em uma sessão de terapia energética podemos ter a presença de divindades, como a Kwan Yin, espíritos de luz, amparadores espirituais, mentores os mais diversos, chineses, japoneses, ciganos, pretos velhos, ciganas, entre tantos que se manifestam e ajudam o cliente em determinadas situações.

Compartilhar com o cliente estas percepções é sempre complicado pois nem sempre eu conheço as crenças de quem está recebendo a energia e assim posso criar uma situação complicada para a mente das pessoas. Como elas estão sendo beneficiadas eu acabo me calando e observando as manifestações.

Mas naquela situação em particular o que eu percebi, e não foi uma percepção muito clara e definida, foram formas muito primitivas, algo como animais, talvez mais parecidos como cães ou algo assim. Realmente estavam mais para vultos energéticos do que para qualquer outra coisa.

Estas formas, escuras, aparentemente densas, não percebi olhos neles, literalmente comiam a energia que ia sendo retirada do cliente.

Não senti medo, repulsa ou qualquer sentimento que indicassem serem uma presença negativa ou indevida.

Fiquei então mais algum tempo removendo aquela energia e observando ela sendo devorada pelos seres.

Em seguida eles simplesmente desapareceram no chão e não mais os percebi.

Continuei a aplicação até o final e agradeci a presença e o auxílio que foi ofertado.

Conversando com o cliente após a sessão pude observar algumas mudanças energéticas que se manifestaram muito rapidamente, inclusive o humor havia se alterado positivamente.

Na região de onde foi retirada a energia eu não pude observar nenhuma alteração.

Senti vontade de relatar aqui no blog na época mas acabei mesmo foi esquecendo.

Posteriormente aconteceu outra situação que se assemelhou com aquela e acabou reativando a minha memória.

Esta nova situação foi bem parecida com a anterior, mas ocorreu com outro cliente e em outro local.

Neste caso a energia densificada estava mais na área do cardíaco e na altura do ombro.

Após esta percepção eu interrompi um pouco a sequência de aplicação e comecei a retirar a energia com movimento das mãos. E a jogar a energia no chão para que a Terra absorvesse. O insight era que a energia removida seria levada para o núcleo do planeta para ser reaproveitada.

Mas algo inusitado ocorreu neste momento.

A medida em que eu estava removendo a energia negativa do cliente senti a mesma presença espiritual se manifestando novamente. Os mesmos seres sem forma definida surgiram e começaram a devorar a energia que eu ia jogando no chão.

Eram com certeza os mesmo seres.

Uma diferença muito significativa que eu percebi foi que na primeira ocasião eu estava em um local muito próximo a natureza, pois havia muita mata nativa na região e desta vez eu estava em um prédio, vários andares acima do solo e sem qualquer natureza ao redor.

Além disto desta vez os seres estavam muito mais a vontade pois alguns chegavam a se aproximar de minhas mãos e lamber os meus dedos, removendo aquela energia densa que eu tinha retirado do cliente. Ao final sumiram tão silenciosamente quanto tinha aparecido.

Foi uma experiência muito singular!!

Continuo sem saber que seres eram aqueles e muito menos qual a relação deles comigo ou com os diferentes clientes.

Apesar disto a total ausência de negatividade por parte deles e a atuação dos mesmos auxiliando as pessoas foi algo que eu agradeci com bastante alegria.

Creio ser mais um destes pequenos mistérios que só se resolvem com o tempo, ao mesmo tempo uma destas pequenas dádivas que surgem e nos motivam no trabalho de terapia.

Talvez ao compartilhar aqui no blog outras pessoas possam relacionar este fato com suas próprias experiências e desta forma fiquem mais tranquilas a respeito destes seres.

:>

Quarta vivência – 3a parte


Hoje eu estava voltando para casa e escutando a música abaixo:

Hino CNSC 10 – Procedências e cuidados

E fiquei ponderando sobre esta questão da mente e do ego.

Lembrando um pouco das minhas vivências e tentando identificar nelas as passagens da música.

Na primeira vivência eu tive um problema de pressão, caiu bastante e me causou um grande incomodo. Entretanto isto foi causado mais por uma preparação equivocada, eu me alimentei mal antes da vivência, e isto acabou causando o problema de pressão. Mas não identifico nisto a questão apresentada aqui:

Após ayahuasca, a batalha vai se intensificar

Estou mal, caiu minha pressão,

Vou morrer, minha respiração vai parar

Que calor, que frio, não bate o meu coração

São peças que te prega o cérebro

Para lhe tirar da sessão

Tentei lembrar em todas as minhas vivências situações como a que foi descrita acima. Mas não encontrei nada parecido.

Talvez por eu estar acostumado a meditar e fazer isto há alguns anos, creio que esta prática facilitou muito o meu contato com a ayahuasca!

—–

Outro ponto que me surgiu junto com estas ponderações foi um insight sobre as manipulações da mente. Sobre como a nossa mente aprende a funcionar de determinada forma e depois busca as mais variadas táticas para manter este tipo de atitude. Fruto do condicionamento que todos nós sofremos durante a nossa vida em sociedade.

Algumas formas de manipulação da mente são fáceis de identificar, certos subornos que nos auto ofertamos para cumprir certas atividades, receber certos benefícios.

Ao mesmo tempo que nossa mente é uma máquina fantástica ela também tem as suas falhas. Buscar o caminho mais curto, procurar sempre a forma mais fácil de fazer uma atividade é uma delas. Depois que a mente encontra uma forma de atuar que é satisfatória ela faz todo o possível para mantê-la. Mesmo que outras pessoas nos ofereçam informações de que estamos fazendo algo de forma errada ainda assim é difícil convencer a mente a mudar.

E falando em insights outro que me surgiu foi referente a repetir ações, repetir padrões mentais.

Pude observar algumas formas de agir que estão profundamente arraigadas no meu ser que passam totalmente despercebidas. A ayahuasca me auxiliou a observar este funcionamento e questionar estas escolhas. A mente entrou em ação oferecendo diversas razões pelas quais eu ainda deveria manter aquele comportamento.

Foi muito interessante observar neste momento a mente vasculhando a minha memória e trazendo situações que justificariam as escolhas e a minha forma de agir.

Racionalmente eu observei que precisava descartar aquelas atitudes mas ao mesmo tempo a mente racional me apresentava razões, todas muito bem justificadas, para não me modificar.

Não chegava a ser uma luta interna, mas era um diálogo interessante de ser observado.

Eu, a minha consciência, estava distante, observando todo o processo.

—-

Os insights que surgiram na vivência vão retornando aos poucos, a medida que a gente vai dando um certo tempo para serem “digeridos”.

:>