Ayahuasca – nova vivência

Neste sábado tive a oportunidade de uma nova vivência da Ayahuasca.

Foi a segunda experiência. E, como dizem, uma nunca será igual a outra.  A começar pelo chá que desta vez estava mais forte, Ayahuasca mel é como e referem ao chá quando ele é mais refinado. Se não me engano de 10 litros ficou com apenas 4, passou boa parte do dia cozinhando para chegar a esta concentração.

A Ayahuasca mel oferece uma vivência mais prolongada dos efeitos do DMT.

Foram várias percepções interessantes. Algumas se repetiram, principalmente no corpo físico e, outras no aspecto de vontade e consciência foram diferentes.

É sempre interessante lembrar que as impressões que eu posto aqui possuem um caráter particular sob determinados aspectos pois dizem respeito a minha caminhada, as minhas experiência de vida e as minhas crenças. Enquanto que outras são mais genéricas, sendo experimentadas por quase todas as pessoas que usam o chá.

Segundo a orientação para esta vivência é de que ela seria focada mais no aspecto espiritual. Creio que eu destoei um pouco desta orientação. Apesar de terem ocorrido algumas percepções nesta linha durante algum tempo.

Um aparte que se faz necessário é que uma das minhas crenças, muito bem embasada pelo Ken Wilber em vários dos seus livros, somada a uma percepção do Robert Monroe no seu ultimo livro: A Última Jornada, é que precisamos integrar em nós mesmos várias e diferentes manifestações do nosso ser. Assim certas percepções externas não são nada mais do que nossas  crenças internas se manifestando. Integrá-las nada mais é do que absorvê-las, juntá-las a nossa consciência. Sem julgamentos principalmente. Com uma grande dose de aceitação principalmente.

—-

Com base no parágrafo anterior, logo no começo, ainda sem os efeitos do DMT, eu senti a presença de dois mentores espirituais. Amigos de longa data que se manifestam em diversas situações. Um Preto Velho e um Índio. Os dois ficaram ali observando e se manifestando por algum tempo até…. serem integrados em minha consciência mais para o final da vivência.

Mas logo no começo, quando eu ainda não escolhido a minha perspectiva da experiência com a Ayahuasca, o Índio atirou algumas flechas em minha direção e elas penetraram na minha cabeça, permanecendo ali, com a sensação de que estavam ativando o meu chakra coronário. A imagem que me veio a tela mental foi a de uma coroa de flechas douradas que se projetavam acima da minha cabeça.

Comecei a me manter atento a atuação da Ayahuasca. Me mantendo atento a minha respiração, a posição do corpo, ao ambiente, as músicas que iam sendo colocadas, tentando manter uma certa noção do passar do tempo.

Comigo, não sei se é uma regra geral, a primeira percepção da atuação do DMT ocorre no campo visual, alterações na percepção dos objetos, das luzes, surgimento de figuras geométricas na forma de mandalas ou padrões bem definidos de cores e formas.

Esta percepção visual ocorre principalmente na tela mental mas no começo é perceptível também, e bem facilmente, entre um abrir e fechar de olhos.

Na tela mental o mesmo processo se repete, com mais intensidade e clareza. Com o tempo estas percepções todas se manifestam inclusive com os olhos abertos. Deve estar relacionada com o aumento da quantidade de DMT no organismo.

Com o passar do tempo recebi a minha primeira orientação por parte dos mentores que estavam presentes. Importante mencionar neste ponto que tenho sentido algumas dificuldades respiratórias já há alguns meses, minha respiração tem estado muito superficial, constantemente me foco na respiração tentando torná-la mais profunda e intensa mas não tenho tido muito sucesso com esta disciplina.

Então a ordem venho bem clara e o corpo seguiu a orientação sem que eu tivesse tempo de interpretá-la: RESPIRE!!

A medida que o corpo seguia o conselho eu me tornava consciente do fato. Assim pude observar o meu corpo respirando. Sua dificuldade inicial, que se prolongou por toda a vivência. Entretanto, posso dizer que há muito tempo eu não respirava tantas vezes e por tanto tempo de forma profunda e consciente. Foi um ótimo exercício.

Junto com a consciência da respiração pude observar o meu corpo e o aumento da ação do DMT, no começo era como ondas esparsas, que afligiam o meu corpo e a mente, tornando o controle do mesmo mais difícil. Essas ondas se prolongaram até um momento perto do final da vivência. Cada onda era mais forte do que a anterior, exigindo cada vez mais vontade em manter a respiração sob controle.

Uma percepção que eu tive destas ondas, e agora posso observar em comparação com a primeira vivência, é que elas vão subindo pelo corpo, junto com isto as imagens mentais, as preocupações e as vivências, como se a cada onda um determinado chakra fosse ativado. A Barbara Brenan no seu livro Mãos de luz oferece uma visão muito entre os chakras e uma perspectiva psicológica dos mesmos.

Nesta sequência eu cheguei até o chakra frontal, creio que foi o limite do meu corpo em lidar com a energia. Não senti frustração em perceber isto, apenas um reconhecimento do meu limite físico.

Neste processo contínuo de onda após onda, onde o tempo e a duração de cada uma delas se tornava menor e mais intenso, eu pude perceber a reação e o funcionamento do meu estômago, a medida que ele consegui processar o chá que eu havia ingerido.

Mesmo sob uma luta intensa do meu corpo com o DMT eu consegui me manter lúcido o tempo todo. Foi uma opção, que derivou da intuição de respirar.

Respirar foi o que impediu que a minha consciência se perdesse ao longo do tempo. O esforço foi intenso e bem sucedido.

Durante o processo de respirar e dentre tantas percepções que tive uma foi muito interessante. Ela surgiu da observação da minha postura corporal e também do cobertor que eu usei para me proteger do frio.

Eu notei a presença de outro mentor espiritual: um monge budista. Com uma certa idade já e bem tranquilo. Ele me ofereceu um auxílio, observar as minhas mãos a cada término de onda de DMT.

Como se fosse uma âncora física. Isto me deu um tempo maior para respirar e para integrar as experiências.

A minha respiração se modificava um pouco ao longo do tempo. Sempre com uma tendência a ser profunda, trazendo um ar estagnado da parte inferior do abdômen e expelindo-a para fora.

Algumas vezes eu sentia que tinha que forçar bastante este processo, causando com isto uma série de ruídos, que eu tentava controlar para não perturbar as pessoas ao meu lado.

Este processo de me manter lúcido impediu que eu perdesse a consciência e também que ocorresse uma saída do corpo. Mas foi uma escolha racional, facilitada é claro com a dica da respiração.

Nos últimos instantes, quando a ação do DMT se aproximava do chakra frontal eu notei que de alguma forma eu estava absorvendo e integrando os mentores espirituais. Como se eles fossem Eles e Eu ao mesmo tempo. Primeiro foi o Preto Velho, depois o Índio e por fim o Monge budista.

Neste momento estava muito complicado e difícil manter a lucidez. Como se o meu corpo não tivesse mais forças para se manter ativo. Lembro que tive breves perdas de consciência neste período.

Ainda tenho outras observações para colocar, mas apenas por este relato eu penso que a vivência foi muito produtiva.

:>

Anúncios

2 comentários sobre “Ayahuasca – nova vivência

  1. Gostaria d saber mais,sobre reik.Pois,acho q qdo imponho as maos numa pessoa,q esta com dor muscular,a dor vai embora.Tenho dúvidas se poderia praticar o reik,se e correto,Gosto de fazer o bem pras pessoas.Grata. Silvia.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s