Impressões sobre o uso do Daime

Na noite deste sábado eu tive a oportunidade de experimentar a Ayahuasca.
Foi uma experiência ao mesmo tempo fantástica e terrível. Digamos que posso dividir bem este dois extremos!!!!
Durante a vivência estive sempre lúcido e consciente, com a mente e as percepções muito aguçadas, mesmo quando o corpo não conseguia se manter.
Os primeiros efeitos do Daime se manifestaram de forma visual. Um pouco inspirado pelas músicas que iam sendo colocadas eu tinha visões de lugares distantes, de divindades hinduístas, muitas mandalas, diversos desenhos de imensa complexidade se formavam e desapareciam.

A etapa terrível começou para o corpo físico. Logo no começo a minha pressão começou a baixar e isso me causou um leve desmaio e depois alguns minutos de luta para me manter lúcido.
Esta foi a pior fase. Que só acabou quando, após longos e extenuantes minutos eu fui levado para umas almofadas onde pude deitar.
A partir deste momento a fase fantástica da vivência começou.
Foi quase que automático, a partir do momento que me deitei e me cobri com uma manta, pois estava um pouco frio, experimentei uma enorme tranquilidade e observei que estava tendo uma projeção da conscicência, uma saída do corpo. Muito lúcida e calma.

As vivências a partir do momento em que me deitei se situaram no plano mental e espiritual. Quase nada de emocional esteve presente. Este foi um fator bem marcante.
Outro ponto muito marcante foi o estado de tranquilidade e estabilidade da saída do corpo.
Já tenho há muitos anos este tipo de experiência, mas não com a duração, estabilidade e lucidez que o Daime me proporcionou.
Não sei dizer por quanto tempo estive neste estado e só fui voltar ao corpo quando a primeira etapa da vivência terminou.
No meu caso foi ruim esta interrupção, ela quebrou o momento e as atividades que eu estava efetuando.

Ao voltar ao corpo eu tive a percepção do segundo momento ruim. Meu estômago estava péssimo. E também uma leve diarreia se manifestou.
Hoje, segunda-feira, apenas agora de manhã sinto meu estômago voltando ao normal. Mas ao fechar os olhos e lembrar do momento de tomar o Daime parece que toda o desconforto retorna.
É uma sensação muito ruim que fica. Não cheguei a vomitar apenas um pouco de diarreia e a pressão baixa que continuou por quase toda a noite.
Hoje eu ainda sinto em alguns momentos a minha pressão arterial alterada, mas aos poucos estou voltando ao normal.
Creio que são reações esperadas, quase que normais, pois outras pessoas que participaram também relataram estas sensações.


Durante o período que estive fora do corpo tive a oportunidade de aproveitar a lucidez e efetuar diversas atividades.
Uma das mais marcantes:
– eu percebi um rosto se destacando no escuro, um rosto de uma velha senhora, muito velha. Uma curandeira. Ela estava praticamente imóvel em uma cama, pude observar que ela apenas conseguia abrir o olho direito. Mas até isso era difícil para ela.
O olho estava com uma aparência muito ruim, como quando os idosos estão com catarata, opacos e sem vida.
Senti que precisava conversar com ela e disse que ela estava liberada, que podia partir em paz.
Neste momento eu soube que ela estava me passando muitos conhecimentos sobre cura, e que fazia isto há muito tempo já. Mas ela já não tinha mais forças, apesar de se agarrar a vida.
Mas eu percebi também que este contato prolongado com a velha curandeira também estava me prejudicando. Sendo uma das causas de um certo cansaço que eu vinha percebendo no meu dia a dia.
Ao conversar com ela, um monólogo na verdade pois ela não conseguia mais articular um palavra, eu a dispensei de sua tarefa.
Em seguida eu a vi sendo levada por vários índios para uma balsa onde foi colocada, sendo empurrada para um rio que corria suavemente, e depois alguém atirou uma flecha que incendiou o barco. E este foi o final da anciã.
Uma dúvida que me veio a mente era se o conhecimento dela também não seria perdido, ao que uma voz me respondeu que ela havia me passado tudo o que eu necessitava e, que a partir deste momento eu poderia seguir sozinho.
Foi um momento muito bonito observar esta cerimônia. Ficará marcado por algum tempo em minha memória.

Logo após esta vivência inicial eu tive outras muito interessantes e importantes, mas vou precisar de mais tempo para relatar.
Apesar da interrupção ter prejudicado um pouco houve tempo suficiente para muitas atividades. Inclusive anotar mentalmente o que eu estava vivenciando para poder compartilhar aqui no Blog!!!

Após o retorno a conscicência eu me mantive em um estado tranquilo, no qual eu pude perceber vários processos de cura sendo efetuados em meu corpo físico.
A grande dificuldade aqui foi realmente o estômago. O desconforto era muito grande.Tentei me manter focado e atento, procurei aplicar Reiki na região do umbilical para ver se melhorava, mas não foi suficiente. Somente no outro dia de manhã eu consegui comer e beber alguma coisa.
A alteração da pressão também dificultou muito, levantar e sentar era praticamente impossível.

As vivências prosseguiram, mas eu praticamente não participei mais, me mantive deitado apenas observando.
Também não consegui dormir durante a noite, apenas breves cochilos.

Apesar de eu estar relatando e dando uma certa enfase no aspecto físico, que foi realmente doloroso, a minha mente se manteve tranquila ao longo de todo o processo.
Em momento algum senti medo, ansiedade ou algo assim. Mas a mente lucida e o corpo sofrendo foi um dualismo complicado.

No outro dia de manhã a dor no estômago foi passando lentamente, a pressão voltando ao normal mais lentamente ainda.. :< e pude interagir um pouco com o restante dos participantes, conversando e trocando experiências.

Algo que ficou marcado na memória foi uma música do mestre Irineu, ela descrevia todo o processo do Daime atuando, falava da disputa da mente em se manter no controle. Quero ver se consigo esta música para ouvir com mais calma no futuro.


Tenho mais coisas para compartilhar, em breve vou postar estas considerações.

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2 comentários sobre “Impressões sobre o uso do Daime

  1. Interessante a tua vivência Felipe. É bem importante compartilhar, a gente consegue integrar melhor a cura que aconteceu. Como eu te disse, as minhas vivências com a ayauaska me soltaram de muitas energias que viviam enroscadas em mim. Foi como tirar um peso bem grande que eu carregava. Foi bem importante. Mas esse mal estar estomacal é realmente horrível. Eu sempre fico muito expandida. Depois de FOB não tive mais vontade de ir nas cerimônias. Tudo tem um tempo e tudo é muito importante. Sobre a tua vivência, sinto que voce se desligou dessa energia. E sinto também que voce está se apropriando da tua própria sabedoria. Talvez esse seja seu maior presente: perceber que voce acessou um conhecimento próprio, do teu próprio SER. Um grande abraço, Kátia

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    • Oi Kátia,

      Pois é…. o estômago… :>>> Ele atrapalhou bastante!!

      Eu pretendo fazer mais umas duas experiências mas concordo contigo tudo tem um tempo, um momento.

      Ainda estou ponderando a respeito de tudo o que aconteceu. Mas também me sinto bem mais leve!.

      :>

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