O último carro

Estes tempos eu fui passear um pouco. Voltei de noite, por uma estrada que não conhecia, assim fiquei junto a alguns carros que estavam trafegando no mesmo ritmo, na mesma velocidade.

Isto durou uns 30 minutos mais ou menos. A velocidade dos carros era baixa, 70-80 Km/h, em uma estrada de boas condições e com um pouco trânsito em sentido contrário.

Depois de mais alguns minutos aquela situação começou a me deixar um pouco exasperado. Assim, lentamente comecei a ultrapassar um carro, depois outro, mais outro. O grupo consistia de mais ou menos uns 8 carros.

Após alguns minutos eu havia ultrapassado quase todos, faltava apenas um.

Neste momento eu tive um insight muito interessante, que já me serviu de exemplo várias vezes em atendimentos:

  • O que representava aquele último carro?
  • O que aconteceria após eu ultrapassar o último?

Eu não conhecia a estrada, não sabia se tinha radares, lombadas ou algum tipo de problema no asfalto.

Eu sabia apenas que após ultrapassar o último carro da fila eu estaria por minha própria conta e risco.

A estrada inteira seria minha. Eu determinaria a minha velocidade. Eu teria que arcar com a responsabilidade de minhas escolhas.

Após breves instantes resolvi ultrapassar. Mudei a minha velocidade para 80-90 Km/h e fui me distanciando do grupo.

Senti uma certa alegria interior pela minha escolha. Na verdade ela tinha sido feita lá atrás, ao ultrapassar o primeiro carro, creio que apenas eu ainda não sabia disto conscientemente.

Mas o que tem de interessante esta narrativa?

O importante é que podemos extrapolar esta decisão para toda a nossa vida.

  • Quantas vezes nos acomodamos seguindo um grupo, um chefe, um familiar?
  • Quantas vezes nos acomodamos em não dar um passo adiante e explorar o que surge a nossa frente?
  • Quantas vezes preferimos o conforto de seguir as dificuldades e mudanças de estarmos na frente?

Muitos de nós se encaixam nesta situação de conforto, mas alguns preferem o risco.

Nenhuma destas escolhas é melhor ou pior do que a outra. Nenhuma está certa ou errada.

Apenas precisamos escolher aquela com a qual nos sentimos melhor.

Precisamos ouvir nosso coração e escolher.

E após a escolha precisamos assumir a responsabilidade por ela.

 

Mas para cada uma das escolhas podemos observar algumas características:

  • É claro que seguir é mais confortável, é mais fácil colocar a responsabilidade em outra pessoa, transferir, é mais fácil culpar o outro pelas escolhas e erros, é mais tranquilo.
  • Assumir a frente é mais arriscado. Não há mais ninguém para assumir a nossa responsabilidade. Estamos sozinhos com nossas escolhas e opções. Há mais emoção, mas opções. Mas o preço é que é tudo com a gente.

Podemos colocar esta situação em nossas vidas de várias formas. Basta um pouco de atenção e vamos identificar quando estamos ultrapassando o último carro e quando resolvemos ficar na retaguarda seguindo algo ou alguém.

Como eu mencionei, não há nada de errado em nenhuma das escolhas, apenas precisamos estar conscientes.

:>

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