Relato de um paciente

Doença psiquiátrica> F 31.2, CID-10 (Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento). Transtorno Afetivo Bipolar, mais conhecido como Transtorno Bipolar de Humor Tipo II.

O autor chama de Intercorrência de Produtividade (IP), ou seja, um acontecimento inesperado que interrompe a sua jornada diária, as suas atividades e alteram o seu ritmo de vida.

Compõe-se de:

  • episódios de depressão;
  • períodos de estabilidade
  • raciocínio rápido;
  • ansiedade e angústia;
  • pensamentos mágicos (necessidade de agregar valor a objetos e rituais que precisam ser realizados);
  • aceleração (faço muitas coisas ao mesmo tempo);
  • crendices (acredito, por exemplo, que, se ao sair do meu apartamento e o elevador estiver parado no me andar, me dia vai ser ótimo);
  • pensamentos suícidas;
  • número ( sempre necessito que sejam sete, ou múltiplos de sete, ou então qe a soma resulte em sete);
  • alteração de sono (não durmo, só penso, penso e penso);
  • impulso persecutório (sensação de que tudo e todos me observam, me perseguem);
  • episódios de pânico (medo, pavor, suor frio, batimento cardíaco acelerado, sensação de enfarte);
  • tendência a premonições (prever, constatar acontecimentos);
  • pré-surto (somem objetos, mesmo que esteja somente eu no local, revistas e TV parecem ter um recado apenas para mim);
  • surto (quando todas as características acima se condensam e o discernimento da realidade é comprometido).

Pág. 107

Retirei o texto do livro: Uma viagem entre o céu e o inferno. Os surtos de euforia e depressão no depoimento de um portador de Transtorno Bipolar. Luis Humberto Leite Lopes. Editora Planeta, 2007.

É um relato instigante, comovente e lúcido de um portador do Transtorno Bipolar. O Luis nos oferece uma visão retroativa e autobiográfica de usa vida desde os 22 anos quando teve a primeira manifestação da sua doença.

Como é o relato de um portador da doença é muito fácil nos identificarmos com as situações, além disto o texto nos comove por por em contato franco e aberto com o autor.

Fazia algum tempo que um livro não me envolvia tanto, em pouco mais de três horas terminei o livro e fiquei ponderando sobre tudo o que estava descrito.

Ao final senti vontade de compartilhar este pequeno trecho, mostra uma visão mais humana, menos técnica de uma doença que afeta cada vez mais pessoas no mundo.

Podemos observar também que muitos dos fatores elencados pelo Luis Humberto são facilmente reconhecíveis em nosso próprio dia a dia. Executamos as mesmas atividades mentais que ele, apenas em ritmo menor e com espaçamento de tempo maior. Talvez se chegássemos a ter um ritmo igual ao dele também nos tornaríamos doentes. É um questão interessante.

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