Sincretismo religioso

O sincretismo religioso é um movimento no qual um sistema de crença absorve ou influencia mudanças em outro. O cristianismo fez isto com as religiões pagãs da Europa, absorvendo e adaptando conceitos de acordo com os interesses da Igreja. Tivemos um movimento mais recentemente onde os negros trouxeram da África suas crenças e as adaptaram ao cristianismo regente no Brasil, mudando nomes e imagens para continuarem adorando seus deuses.

Esta mescla de crenças, crendices, conceitos é algo natural, uma adaptação de acordo com a região, com a época. Muitas religiões menos estruturadas acabam por sucumbir mas ao mesmo tempo as influências mútuas são benéficas.

Temos nas religiões afro-brasileiras um exemplo muito interessante onde cada orixá corresponde a um santo católico.

Na verdade esta divisão é algo muito primitivo, criado mais para satisfazer aos egos humanos do que propriamente a vontade da espiritualidade e das divindades.

Nossa Senhora, Iemanjá ou Kwan Yin são todas manifestações femininas, cada uma adequada a uma determinada cultura e época.

Esta adaptação a uma determinada cultura implica em uma alteração da frequência vibratória da divindade para que possa se manifestar para estas pessoas. Cada um de nós se afiniza, em determinada época de nossa vida, com uma determinada frequência e com uma divindade que atua neta frequência.

A tendência é que a medida que vamos avançando em nosso desenvolvimento, em nossas experiências e em nossa evolução acabamos por nos ligar com divindades de frequências mais elevadas, mais sutis.

O ruim é quando nos desligamos de uma divindade e acabamos por nos revoltar com ela, ou a considerar impura, ruim, negativa. Esta divindade nos serviu por tanto tempo, a ela recorremos durante tantas ocasiões e ao modificarmos nossas crenças, em um momento que deveríamos nos tornar mais compassivos acabamos por agir de forma equivocada.

Não precisamos ficar presos a determinada crença a vida toda, mas é preciso valorizar aquilo que acreditamos nesta época.

Para estas divindades, para estas manifestações de Deus o nosso rancor, agradecimento ou reconhecimento não é tão importante como muitos fazem-nos acreditar. Elas se importam mais com nosso crescimento do que com nossas falhas.

Temos também casos onde não aceitamos a presença de divindades de crenças diferente. Um exemplo bem clássico é quando temos a presença de orixás em um centro espírita. Situação um tanto quanto constrangedora para os humanos encarnados mas não para a espiritualidade. Pelo menos não para manifestações da espiritualidade de caráter verdadeiro, já que enganadores, embusteiros tem aos montes em todos os lugares.

Para ilustrar uma atuação conjunta de divindades bem diferentes em frequência vibratória e manifestações vou relatar uma situação que vivi há alguns meses durante um atendimento.

O exemplo ocorreu durante uma aplicação de Reiki. Eu estava passando da posição da garganta para o cardíaco quando senti a necessidade de mudar a música. Estava usando uma música chinesa bem tranquila com som de água e pássaros. Tive a intuição de usar uma música dedicada a Kwan Yin que eu gosto bastante, também bem suave e tranquila, a transição de uma música para outra foi bem natural e as energias também se alteraram de forma a se adaptar a nova influência energética.

Comecei a trabalhar no cardíaco e após alguns instantes senti novamente a necessidade de mudar a música, indicando que outra influência iria se manifestar. Fiquei um pouco surpreso pois a intuição me indicava uma música de influencia xamânica, com tambores e sons de animais, algo bem primitivo e forte. Quando, ainda no cardíaco, recomecei a aplicação senti a presença de um Preto Velho. Surgiu bem definida na minha tela mental a imagem clássica de um preto bem velho, bem velho, bem tranquilo e amigo. Uma energia mais intensa se manifestou no lugar da suavidade da Kwan, fiquei por alguns instantes na região do cardíaco e depois senti que o Preto Velho se afastava com uma breve saudação.

Nova mudança na música e na presença espiritual, voltou a Kwan Yin e terminei a aplicação na posição do cardíaco.

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A pessoa que estava recebendo o Reiki não era afeita a nenhum destas crenças: Kwan Yin e Preto Velho, mas isto não impediu a manifestação dos dois e um trabalho conjunto junto ao chakra cardíaco do cliente.

Por não saber o conjunto de crenças eu acabei por não comentar nada com o cliente, que apenas se beneficiou das bençãos.

Penso que a minha abertura em relação a este tipo de manifestação é que permite que elas se manifestem. Se eu bloquear de alguma forma, seja por não acreditar nesta ou naquela divindade, seja por aceitar apenas esta ou aquela crença eu acabaria por prejudicar o trabalho a ser executado.

Normalmente eu fico surpreso com estas situações, em seguida me sobrevém um sentimento de gratidão por poder participar de uma experiência destas e também uma alegria por poder perceber o que está ocorrendo. Mesmo que seja rápido e nem sempre ocorra.

Não sei se esta é a posição da maioria dos terapeutas, mas seria cada vez mais interessante que fosse uma regra. Assim teríamos mais e mais pessoas beneficiadas.

Esta atitude é uma necessidade do terapeuta reikiano, pois desde o momento em que faz o curso do nível I é salientada a necessidade de se tornar um canal, ou seja, influenciar o mínimo possível na aplicação.

Entretanto, não sei dizer como a maioria dos reikianos se comportaria em situações semelhante. Espero a cada dia mais e mais terapeutas, reikianos ou não, se tornem acessíveis a estas manifestações.

 

 

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